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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Posições de Parto


Assista alguns filmes e séries de TV com cenas de parto que você será perdoado por pensar que a única maneira de uma mulher dar à luz é deitada de costas com os joelhos dobrados para cima ou com as pernas balançando em estribos.

Mas esta é realmente a melhor maneira de dar à luz? Vejamos algumas das posições que você pode adotar durante o parto e como eles podem te ajudar a facilitar o trabalho de parto.

"Parto Ativo"
Você deve ter lido ou escutado isso várias de vezes desde que você descobriu que estava grávida. Mas o que isso realmente significa?
Não se preocupe - é improvável que o seu obstetra irá lhe perguntar se você gosta de algum tipo de esporte enquanto você está em trabalho de parto - isso simplesmente significa manter uma posição ereta ou semi-ereta a fim de tornar mais fácil para seu bebê descer pelo canal do parto. E manter uma atitude mais ativa. Afinal, se você pensar bem ter a gravidade ao seu lado só pode ajudar. Deitar de costas para dar à luz realmente não faz muito sentido.

De fato, parir em supino (de costas) é um costume relativamente recente. "As mulheres ao longo da história e em todas as culturas diferentes foram descritas parindo em posições verticais e de gravidade neutra", explica Janet Balaskas, fundadora do Centro de Parto Ativo.

"Foi apenas quando a obstetrícia assumiu os partos e o nascimento tornou-se mais medicalizado que as mulheres foram incentivadas parir de costas simplesmente porque é mais conveniente aos médicos para monitorar e examinar."

Embora a um dos principais conceitos de parto ativo ficar em uma posição vertical é algo que acontece naturalmente para as mulheres em trabalho de parto, Sue Jacob, do Royal College of Midwives, recomenda praticar uma variedade de posições durante o pré-natal para que você possa formar uma idéia de que seria mais confortável para você no momento do parto.

Usando uma série de posições de parto em vez de limitar-se a uma, vai ajudar o bebê em sua descida e permitir que seu corpo se adapte às diferentes fases do seu nascimento.

Ser orientada pela doula ou pelo médico também pode ajudar. Eles podem sugerir uma mudança de posição para manter as coisas em movimento. Vale a pena lembrar que basta confiar em seu corpo e seu instinto - você vai encontrar uma posição de parto em que você se sinta bem.

Em pé

Quando usar: Ficar em pé permite que o peso do seu bebê pressione o colo do útero ajudando o seu colo a se abrir. Por isso esta é uma posição boa para usar na primeira fase do trabalho de parto quando as mulheres muitas vezes se sentem inquietas de qualquer maneira.

Tente caminhar entre as contrações descansando o peso do corpo na parte de trás de uma cadeira ou na parede quando tiver uma contração.

É bom para: Além de exercer pressão sobre o seu colo andar por aí assim como prestar atenção na respiração vai lhe dar algo para se concentrar em outras coisas além das contrações. "Estar em pé, ao invés de deitada na cama também tem benefícios psicológicos já que lhe confere uma sensação de estar no controle", diz Sue Jacob.

"É também uma posição que vem naturalmente, não há necessidade de praticá-la durante o  pré-natal."

Por que não é tão boa: Se o trabalho de parto está progredindo lentamente, em pé e andar por longos períodos de tempo vai ser cansativo. Tente alternar entre as posições sentada ou ajoelhada.

Deitada sobre a lateral esquerda

Quando usar: Durante a primeira fase do trabalho de parto, quando as contrações ainda são bastante espaçadas. Deitar sobre seu lado esquerdo vai permitir que você relaxe e talvez até durma um pouco poupando sua energia para o trabalho que ainda tem em frente!

Também é útil se você precisar descansar durante a segunda fase do trabalho de parto - ter sua perna levantada e apoiada por seu parceiro/doula irá assegurar que seu médico ou parteira ainda tenha uma boa visão.

É bom para: "A saída da cabeça do bebê pode ser melhor controlada nessa posição, e há menor probabilidade de haver danos ao períneo" diz Sue.

Estudos mostram que deitar sobre seu lado esquerdo em vez de costas, não restringe o fluxo de sangue para o bebê porque o peso do seu útero não está pressionando os principais vasos sanguíneos. Também permite que as contrações continuem eficazes mesmo você estando em uma posição de repouso..

"Dei à luz meus dois filhos deitados no meu lado esquerdo", diz Alex, mãe de Rosie, três, e Lily, de seis meses. "Não foi uma decisão consciente, eu só fiquei exatamente como eu me sentia confortável."

Por que não é tão boa: deitar fazer você se sentir passiva. Também está limitando a quantidade de ajuda que você pode receber da gravidade. O fato de que seu parceiro ou doula precisarem apoiar a sua perna significa que eles estarão restritos no que podem fazer por você (massageando suas costas por exemplo).

Quatro apoios

Quando usar: Ao longo do trabalhode parto. "Na primeira etapa, eu andava entre as contrações e depois fiquei em quatro apoios sobre uma bola de parto cada vez que uma contração vinha", diz Sarah, mãe de Phoenix, duas semanas. "Mais tarde, no expulsivo, eu estava de quatro quase que continuamente."

É bom para: Estar nesta posição permite que sua doula ou seu parceiro possa massagear sua lombar. é também bom quando o bebê está na posição posterior, de costas para as suas costas), pois elimina o peso do bebê sua coluna vertebral e proporciona espaço para o bebê girar para a posição mais desejável, a anterior (com as costas do bebê para a sua frente).

Estar em quatro apoios também permite que você balane e incline sua pelve aliviando a dor e ajudando o bebê em sua descida. Os efeitos da gravidade são bastante suaves nesta posição, isso permite uma saída muito mais controlada da cabeça e ombros, com um risco muito reduzido de laceração.

Por que não é tão boa: Você pode ter a sensação que muito sangue corre para a cabeça nesta posição fazendo você se sentir tontura e cansaço. A pressão sobre seus joelhos, pulsos e braços também pode ser desconfortável. Mas este desconforto pode ser aliviado com o uso da bola.

Cócoras

Quando usar: Esta posição é útil na segunda fase. Seu parceiro pode suportar seu peso, alguns hospitais também têm cordas suspensas no teto para que você possa se "pendurar" nelas.

É bom para: Aumenta o diâmetro da pelve dando ao bebê mais espaço para se movimentar e realizar sua descida. Por isso é uma boa posição para adotar quando você está empurrando para um bom tempo sem fazer muito progresso.

Por que não é tão boa: Pode ser cansativo – algumas mulheres não estão acostumados a agachar então os músculos da coxa não estão preparados para adotar esta posição por longos períodos de tempo. "A posição pode ser difícil para muitas mulheres", concorda Sue.

"Ela também pode tornar difícil para o obstetra ter uma boa visão de sua área perineal."

Deitada de costas / posição supina

Quando usar: Esta posição pode ser usado em todo o trabalho de parto, mas seu uso se tornou popular para a segunda fase do trabalho de parto muito recentemente. "Eu fiquei deitada de costas na posição tradicional nos partos dos meus dois bebês", diz Louise, 33, mãe de Inga-Britt, três e Axel, 18 meses.

"Nas duas vezes o bebê coroou inesperadamente, então eu realmente não tive tempo para ficar em qualquer outra posição, mesmo que eu quisesse."

É bom para: Como esta é a imagem mais comum para parir que estamos acostumados, muitas mulheres podem se sentir psicologicamente mais 'confortáveis' com ela  que com algumas das posições verticais.

Por que não é tão boa: Gravidade não está ao seu lado quando você está deitada de costas. Esta posição está ligada com trabalhos de parto mais longos e dolorosos. Também como uma maior incidência intervenções e / ou episiotomia. Como o peso do seu útero está pressionando os vasos sanguíneos esta posição pode também limitar o fluxo de sangue para o bebê.

Ajoelhada

Quando utilizar: Ajoelhar é útil na segunda fase do trabalho de parto, uma vez que lhe permite empurrar para baixo de forma eficaz. "Eu havia decidido ter meu filho de quatro", diz Marni, 28, mãe de Flynn, dois.

"Mas quando chegou a hora dele sair me senti muito mais no controle da situação de joelhos, com o apoio de ambos os lados pelo meu marido e uma das parteiras."

É bom para: Ajoelhar tem muitos dos mesmos benefícios que estar em quatro apoio, mas sem a tensão em seus pulsos e braços. Ele permite que você balance a pelve, o que alivia a dor e ajuda o bebê em sua descida e também pode ajudar se o bebê está pressionando contra sua coluna.

"Ajoelhando tem uma série de benefícios ao longo sentado", diz Sue Jacob. "Isso tira a pressão de suas nádegas e permite uma visão melhor."

Por que não é tão boa: A pressão sobre os joelhos pode rapidamente tornar-se desconfortável, tente ajoelhar na cama ou em almofadas para evitar isso.

Sentada

Quando usar: Sentar – seja sobre um banquinho, uma cadeira ou sobre a bola de parto pode ser útil na primeira fase do trabalho de parto. Quando chega a hora de empurrar tente sentar na cama com os joelhos dobrados, caso contrário use uma cadeira ou banqueta de parto.

O banheiro também é uma boa opção! "Eu fui incentivada a ir ao banheiro durante a segunda fase", diz Nicolette, mãe de Freya, de seis meses. "Era tão confortável que eu não queria sair, eventualmente eu sentava no banquinho de parto."

É bom para: Sentar tem a vantagem da familiaridade com a posição e permite que você possa descansar sem perder os efeitos da gravidade. A pressão é removida de suas pernas e costas mas é mantida em seu colo. Setar no vaso é bom porque estamos condicionados a relaxar o nosso assoalho pélvico neste ambiente e também relaxa o períneo.

Por que não é tão boa: O fato da pressão estar sobre o cóccix o deixa com uma menor capacidade de se mover, o que pode inibir a passagem do bebê.

Tradução: Marilia Mercer

sábado, 23 de junho de 2012

Como era parir em casa antigamente?

Depois da Marcha do Parto em casa várias pessoas me questionaram sobre a validade deste movimento todo. 
- Por que não vão lutar pela humanização do SUS?
- Por que não vão lutar pra diminuir as cesáreas?

Então minha gente, o fato é que pensando bem o CRM não deveria estar preocupado com isso invés de perseguir os profissionais que atendem os pouquíssimos partos domiciliares que acontecem (e são bem sucedidos) aqui no nosso Brasil de meu Deus?
Há um tempo atrás uma senhora começou a trabalhar aqui em casa. Dona Therezinha. Lógico que uma hora eu ia acabar falando de parto com ela. Se isso vira assunto até quando estou fora de casa, imagina aqui? E me surpreendi com o história da vida dela. Teve 12 filhos (uma faleceu na infância) todos de parto natural e em casa. 3 foram desassistidos porque não deu tempo da parteira chegar. E como se toda esta experiência não bastasse a parteira era a mãe dela! Pedi pra ela contar um pouco da vivência dela nos partos.
De maneira alguma eu estou incentivando as mulheres a terem seus bebês em casa sem assistência nenhuma como era naquela época para a Dona Therezinha. Eu quero só que prestem atenção nas palavras dela, de como o parto para ela não era um sofrimento. E o mais engraçado foi quando ela me falou que ficava até meio sem graça de falar isso para outras mulheres, que o parto não foi sofrido, porque elas não entendiam.

Só tenho a agradecer ter conhecido alguém tão linda e especial!!!
Com vocês, Dona Therezinha!





BjoS!!!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Parto Humanizado no Vitrine Revista da TV Tarobá

Eu estive junto com a Ana Carolina Franzon (Blog Parto no Brasil), a Fernanda Rocha (mãe GestaLondrina) e a Enfermeira Liane no Programa Vitrine Revista comandado pela Julie Bicas AO VIVO falando sobre parto natural, parto na água, parto em casa, sem anestesia e tudo mais :).

Confiram os vídeos:

Vídeo 1


Vídeo 2



Foi muito gostoso participar do programa!

Até mais!

sábado, 3 de março de 2012

Sobre a dor no parto

Depois do chá de bênçãos eu tinha que revisar uma redação que fiz para o curso de doulas. Eu estava tão mexida com tudo o que vivemos ali que acabei quase reescrevendo ela toda.
Meus dois primeiros filhos nasceram de parto normal, não natural. As experiências foram lindas como todo nascimento é. Só que eu queria parir. Queria fazer tudo do começo ao fim. E posso garantir que foi muito diferente! Pensando nisso tudo escrevi este texto. Espero que eu tenha conseguido transmitir a minha relação com a dor no momento do parto.


Vencendo a dor ou vencendo com a dor?

De repente uma dor que parece que para mas volta. Busco alívio. Ela é o sinal tão esperado que o encontro com a menina ainda desconhecida e incrivelmente amada e querida está muito próximo.
Ainda que doa eu quero sentir. Quero passar por tudo. Como pode eu querer sentir esta dor? Penso comigo que é tudo uma loucura. Por que eu fui mergulhar nessas águas?
Essa dor que vem em ondas. Essas ondas que parecem que vão tirar o meu ar. Mas não tiram. Elas me dão mais força.
Eu tenho um anjo comigo. Ela me lembra que a onda vem pequena ainda e vai ficando cada vez maior e mais forte e pode até assustar. Me lembra de respirar. Não devo lutar contra, preciso me entregar. Me entrego e é a dor que me leva pro lugar onde eu mais quero estar. Resmungo, grito, respiro e olho para a frente e o anjo ali a me dizer que eu vou conseguir, está tudo bem. Respira!
E as ondas chegam cada vez mais fortes e parece até que eu não vou conseguir me levantar entre uma e outra. Até que me falam: a menina está aqui! Se ela está aqui, só falta a minha parte. Tenho que me abrir para receber o seu abraço, o seu olhar. Estendo a minha mão e toco seus cabelinhos. Procurando pela dor percebo que ela já não é mais uma onda. Agora ela queima coroando a chegada da minha pequena.
- Eu consegui! Eu consegui! Acabou!
E toda essa luta faz sentido. A dor desaparece e dá lugar a uma alegria tão intensa que é difícil explicar. A dor me trouxe até aqui.
Não posso dizer que eu sofri. Eu só me entreguei à dor da minha vitória.

Até mais!