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quinta-feira, 13 de março de 2014

Relato de Parto da Isabeli - Nascimento da Laura Terumi

Fazia pouco mais de 6 meses que eu tinha me mudado para Londrina, e eu e o André achamos que já era hora de noss@ filhinh@ nascer. De certa forma foi um susto, pois não achávamos que eu ficaria grávida tão rapidamente. Logo que descobri que estava grávida comecei a procurar sobre grupos de gestantes aqui em Londrina. Eu não sabia nada sobre gestação nem sobre parto. Só sabia que queria um parto normal. Na minha cabeça parto normal era aquele que a mulher ficava na maca, semi-deitada, o médico gritando “Empurra, empurra!” e a criança levando tapa na bunda de cabeça para baixo. Com essa vontade de ter parto normal foi que encontrei o Gesta Londrina. O pouco que sei sobre partos aprendi no Gesta Londrina, o que foi essencial para que eu mudasse meus conceitos e quisesse um parto humanizado. Logo depois da primeira reunião no Gesta eu e o André já falamos para a Marília que queríamos que ela fosse nossa doula, e ela nos acompanhou a gravidez toda. A minha gravidez foi muito tranquila, mas quando eu estava com 34/35 semanas de gestação a Terumi quis nascer. O André tinha ido viajar no domingo e na segunda de madrugada acordei com dor na bexiga e cólica. Liguei para o obstetra, e ele me mandou ir para o hospital Evangélico, para me examinar e colher alguns exames. Chorei, pois tive medo de ter um parto prematuro e liguei para o André. Depois falei com a Marília, e aí eu me acalmei mais, e comecei a pensar que ainda não era a hora da Terumi nascer. Mas infelizmente eu estava com contrações e tive que ficar internada para tomando medicamento para inibir o nascimento prematuro. O que me marcou nesse episódio não foi somente o medo de um parto prematuro, mas principalmente o caso de uma gestante que dividiu o quarto comigo. A moça chegou com cesárea agendada à meia-noite. Um pouco antes das oito da manhã vieram buscá-la para fazer a cirurgia, e mais ou menos uns 20 minutos depois o marido dela apareceu falando que o bebê já tinha nascido. Pensei: “- Até que não é mau! Ela saiu bem daqui e o bebê já nasceu, e pelo que consta está tudo bem com os dois.” Mas essa moça só foi voltar para o quarto à uma e meia da tarde. Até então ela não tinha estado com o bebê e nem tinha amamentado. Eu fiquei chocada com isso, e com a condição dela, pois o pós-operatório da cesárea foi bem chocante, pelo menos para mim e ao contrário do que sempre ouvi. Ela não deve ter sentido tanto, pois ainda estava dopada. Depois que ela chegou no quarto trouxeram o bebê e ela ficou lá, toda cortada tentando amamentar o bebê e ao mesmo tempo dar atenção para as (muitas!) visitas. Depois desse episódio eu fiquei ainda com mais medo de passar por uma cesárea. Fiquei três dias no hospital, e continuei com a medicação mais um tempo em casa. Mas depois que parei com os remédios, todas as noites eu tinha contrações, com intervalos aleatórios e que passavam depois de algumas horas.

Quando eu estava com 36/37 semanas de gestação, fiz um ultrasom que acusou que a Terumi estava com 3,2 kg. O médico me disse: “- É bom essa bebê nascer logo, senão não vai ter encaixe encéfalo-pélvico e não vai dar para ser parto normal.” Eu saí do consultório super preocupada, querendo que a Terumi nascesse naquele mesmo dia. Desde então eu comecei a ficar ansiosa e fiz o que eu pude para ela nascer logo: caminhada, comida apimentada, etc. Quando eu estava com 39 semanas, no auge da minha ansiedade, pedi para a Lorena – que também é doula no Gesta - fazer acupuntura em mim, só para me acalmar. Depois da acupuntura me senti bem melhor, e à noite fui à casa da Marília pintar minha barriga. 
Saí de lá morrendo de fome, e paramos em uma lanchonete para comer um “hamburgão”! Logo depois vim para casa, tomei um banho, me deitei e começaram as contrações, como de costume. Porém daquela vez estavam com intervalos menores, e mais ritmadas. As contrações começaram às onze da noite. Quando percebi que estavam diferentes, acordei o André, que não deu muita importância, pois ele achava que ainda ia demorar para a Terumi nascer. Eu comecei a andar, fui para o chuveiro, e as contrações mais fortes. Tive diarreia e vomitei, e me lembrei de que era o meu corpo se preparando para o parto da Tetê. Acordei o André novamente, que aí acreditou que era para valer e começou a marcar os intervalos. Ficamos no banho, ele fazendo massagem nas minhas costas, e a dor só aumentando. Às três horas da manhã, vi que precisava da Marília e liguei para ela. Ela veio logo e foi um alívio! Praticamente esqueci o André, pois a Marília me fazia ter foco, relaxar, e diminuir a dor. Às cinco da manhã achei que era hora de ir para o hospital. Fomos para o Hospital Araucária, e lá uma enfermeira fez o toque e viu que eu estava com 5 centímetros de dilatação. Fomos para o quarto e lá ficamos, os quatro – André, Marília, Terumi e eu. Eu sentia muita dor e já nem ligava mais em ficar pelada na frente de qualquer pessoa, nem de vomitar, e nem de gritar – só queria que minha dor diminuísse e a Terumi nascesse logo. Eu sentia muita dor, bati no André, gritei com a arrumadeira do quarto (que quis abastecer o frigobar no meio de uma contração!!!), mordi a toalha – um show! O médico só entrava, via como estava a situação e não intervinha.
Ele cumpriu o que tinha me dito em consulta: “- No parto normal eu não faço nada, quem vai fazer é você. Só estarei lá para garantir o atendimento para você e a bebê caso haja alguma situação fora do previsto.” As contrações foram ficando cada vez mais intensas e com intervalos menores. Quando percebi que o expulsivo estava próximo só me lembrava do médico dizendo que se ela fosse muito grande não daria para fazer o parto normal. Também senti medo, pois não sabia o que esperar do expulsivo. E se eu não conseguisse empurrar a Terumi? E se eu tivesse que fazer uma cirurgia? Nesse momento eu já não conseguia mais me concentrar e a dor nas costas era muito intensa. 

Então pedi analgesia. Aí começou outra luta: convencer o André e a Marília de que eu queria a analgesia. Entre uma contração e outra as discussões, e a Marília me lembrando de todas as implicações da analgesia. Eu teria que ir para o centro cirúrgico, teria que ficar deitada na maca, os batimentos da Terumi e as contrações poderiam diminuir e isso tudo poderia resultar na cesárea. Eu sabia dos riscos, mas eu estava tão fora de mim por causa da dor e do medo da cirurgia que eu acreditei que se eu parasse de sentir dor eu conseguiria ter o parto normal. Não seria exatamente do jeito que nós tínhamos imaginado, humanizado, no aconchego do quarto, com música e luz suave, mas seria um parto normal, e naquele momento, para mim isso era o mais importante. Depois de um tempo, quando já estava ensandecida de dor e via que eles não iriam procurar o médico para falar sobre a analgesia eu falei: “- Eu vou lá fora gritar que quero analgesia!” E fui saindo, peladona! Depois desse chilique, só me lembro de duas enfermeiras chegando com uma maca, pedindo para eu deitar. Eu disse que não deitaria, pois não conseguia. Aí fui sentada, abraçada na Marília e ela do meu lado tentando acompanhar a maca. Chegando no centro cirúrgico não deixaram a Marília entrar. Veio um médico e disse: “- Só o pai pode entrar no centro cirúrgico.” Eu disse: - “Quem é você?” E ele: “O anestesista.” Nessa hora, foi horrível, pois a presença da Marília era muito importante. Eu só tinha conseguido chegar até lá por causa dela. Ela me deu muita confiança, me fez ficar focada na respiração, relaxar, teve paciência com meus gritos. Mas tive entrar para o parto sem a minha doula. As enfermeiras saíram e me deixaram lá, sozinha. Eu olhei para os lados e comecei a gritar: “- Cadê o meu obstetra?” Aí chega o meu médico, e eu grudo na mão dele, apertando. Nessa hora ele deve ter pensado que seria melhor se tivesse insistido para a Marília entrar! Depois disso fiquei chamando pelo André. O médico me disse que ele só entraria depois de todo o procedimento de analgesia. Mas esse procedimento, para mim, foi muito longo, e eu fiquei chamando pelo André e por isso o médico e as enfermeiras ficaram bastante impacientes comigo. 

Quando a dor começou a passar, eu consegui deitar e o André chegou. Depois disso uma enfermeira tentou amarrar minha perna, mas eu pedi que não, o que foi atendido. Eu estava cansada e com sede e pedi água para o anestesista, que negou. Esperei meu médico voltar e pedi água a ele, que disse para a enfermeira me dar um pouco de água. Eu não sentia mais dor, mas podia sentir e mexer minhas pernas. Devia ter, além dos médicos, umas três enfermeiras que eu acredito que estavam ali mais para assistir a um parto normal do que para realmente auxiliar. Ao que parece, partos normais são raros naquele hospital. As contrações também ficaram mais espaçadas. Em um momento, eu não me lembro o que disse para o médico e ele me respondeu: “-Ainda nem sabemos se essa menina vai mesmo nascer de parto normal!”. Então eu disse: “Ah! Ela vai nascer de parto normal sim!!”. Apesar das situações desagradáveis do início, o ambiente da sala de cirurgia estava leve, não com o aconchego e privacidade do quarto, claro. Os médicos faziam brincadeiras, chamando a Terumi e um bem-te-vi insistia em entrar na sala pela janela fechada. Eu fui ficando mais segura e determinada a cada momento, e a cada vez que o médico dizia que começava uma contração eu empurrava com bastante força. Em um momento ele disse que a Terumi tinha coroado, e cortou um pedaço do cabelinho dela para me mostrar que ela já estava chegando. Eu continuava empurrando, até que ele pediu para eu parar. Era 11:14 h da manhã de 29 de agosto de 2013 quando a Terumi nasceu. Eu a senti saindo de mim, mas acho que se não tivesse com a analgesia teria sido mais intenso. Infelizmente não pude vê-la nascendo, devido à posição em que eu estava. Olhei para o André, que tinha estado todo o tempo do meu lado, me apoiando. Ele estava chorando muito pois tinha visto todo o nascimento de um local privilegiado. E então eu comecei a chorar também. Depois de um tempinho, perguntaram se ele queria cortar o cordão. Aí o pediatra trouxe a Terumi, toda quietinha, para o meu peito. Eu a abracei e logo ela começou a mamar. Ela ficou um tempo comigo, mamando, e eu olhando para aquela carinha linda. Ela só chorou quando a levaram para fazer os procedimentos. A partir daí não nos desgrudamos mais, até hoje!!


P.S. da Doula: Laura Terumi nasceu com 2,900 kg bem diferente dos 3,800 kg que ela estaria se a ecografia que mostrou que a bebê estava "grande demais" estivesse correta.

sábado, 8 de março de 2014

Relato de Parto da Michelle - Nascimento do Benjamin

E foi assim que você chegou…!

Era madrugada de sexta para sábado quando eu notei que um líquido incolor escorria por entre minhas pernas toda vez que me levantava ou fazia força. Mas preferi pensar que não era nada demais, e assim eu enganava minha cabeça e a ansiedade não tomaria conta de mim.
No sábado pela manhã eu pedi ao meu marido que me ajudasse a lavar os tapetes da sala no quintal. Foi nessa hora que eu comentei com ele sobre o líquido que continuava a escorrer. Nessa hora tive que colocar um absorvente pra conter o “vazamento”, caso contrário eu ficaria toda ensopada em menos de 1h! Era estranho imaginar que talvez fosse a bolsa rompida, estranho porque eu pensava “Mas já??????”. Então resolvemos ligar para o GO.
- Alô, Dr, é a Michelle. Acho que minha bolsa rompeu apesar de estar vazando de pouquinho em pouquinho.
- Oi Michelle… então vai pro Hospital Evangélico (HE) fazer uma avaliação, porque eu não estou em Londrina, estou em Curitiba.
- HEIN?!
- Fique tranquila, vou ligar pro HE avisando que você tá indo pra lá.
Depois do choque (choque porque pensei “como assim que ele tá em Curitiba?????!!!!! – como se médicos não tivessem vida própria, né?) eu resolvi que só iria ao hospital depois de terminar de lavar os tapetes. É claro que eu já tinha avisado minha doula (Marília), por sms. Aliás, a doula oficial também estava viajando! Na verdade ela estava voltando de viagem, mas só chegaria a noite. Daí avisei a outra doula (Lorena) também! Afinal… como assim parir sem ninguém?!??! É muito abandono!
Fomos ao HE. Eu e meu marido armados até os dentes, afinal, eu não queria ser internada naquele hospital (eu já tinha me planejado pra ter o neném em outro hospital, Araucária). Sem falar que como estávamos sem doula e sem o GO, me senti completamente desprotegida. Ao ser encaminhada para a maternidade avisto um rosto familiar entre as enfermeiras. Na mesma hora meu coração sossegou e respirei aliviada.
Eu só disse assim pra enfermeira chefe: “Oi fulana! Eu sou Michelle, do Gesta!” E ela abriu um sorriso e depois tudo ficou mais fácil. Parecia um código, sabe? E começamos a falar a mesma lingua: parto humanizado. Ela foi extremamente gentil durante o exame e manteve meu GO – por telefone – a par de tudo o que estava acontecendo. Aquilo tudo me deixou muito mais tranquila. Resumo do exame: eu estava com bolsa rota, colo do útero amolecido, nenhuma dilatação e contrações de Braxton Hicks apenas. Fiz um ultrassom pra ver se estava perdendo líquido amniótico (negativo), e o neném estava ótimo! Ou seja, tudo perfeito pra voltar pra casa e ficar lá, de molho. E foi o que o obstetra substituto fez, me liberou.
Mortos de fome, eu e meu marido fomos almoçar no Habbib’s. Foi então que percebi que eu estava ensopada, e em todo lugar que eu sentava, eu deixava um ‘carimbo’. Foi desagradável, mas pelo menos almoçamos (esfirras e beirute), e voltamos pra casa. Tomei um banho, me troquei e fui me deitar no sofá da sala pra tirar uma soneca.
Durante a soneca eu percebi que as contrações que antes eram na parte de cima da barriga, foram para a parte de baixo, e passei a ter cólicas levemente incômodas. Fingi naturalidade e deixei o sábado rolar, mas daí pedi ao meu marido que anotasse o tempo das contrações pra gente ter noção do que estava realmente acontecendo. Ao me deitar pra dormir (umas 22h) as cólicas estavam um pouco mais fortes, porém à meia noite e meia eu acordei com uma cólica absurda! Corri para o banheiro pensando na possibilidade de evacuar e aliviar a dor. Ledo engano!!!! Ao me sentar no vaso notei que o tampão tinha saído, e agora eu tinha contrações mais intensas. O Anderson estava acordado, e lá pela 1 e pouco da manhã eu chamei ele e disse:
“Marido, o bicho tá pegando!”
Liguei para a doula e mandei uma mensagem para o celular do GO que estava em Curitiba. Me vesti e entrei no carro me concentrando nas contrações e seus intervalos refrescantes.
Chegamos no Hospital Araucária às 2 e pouco da manhã. Fomos recebidos pela Marilia e toda sua parafernália. Na recepção o ambiente era calmo e vazio (ufa!), e logo o atendente mandou trazer uma cadeira de rodas (??). A enfermeira ouviu “Obrigada, mas prefiro andar. Sacumé, ajuda pro parto!”. Não posso deixar de relatar que tanto o atendente quanto a enfermeira ficaram levemente chocados com a rejeição da cadeira de rodas e com a notícia de que era pra ser parto normal.
A enfermeira (novinha, com cara de recém formada), me examinou e disse “4cm de dilatação”. Eu e a Marilia vibramos (nessa hora meu marido estava ajeitando a papelada da internação).
Assim que tudo estava acertado fomos para o apartamento (enfermaria). O quarto era só nosso! \o/
Avisamos a enfermeira que seria parto natural. Ela ainda não estava acreditando. Eu achei o máximo a cara dela ao ver a banqueta de parto e o nosso bom humor – mesmo com contrações, dor, e afins. Logo fui sentando na banquetinha, e as contrações pareciam aumentar, mas eu deixava ela ir e vir, e fazer o papel dela: trazer meu neném.
Em certo momento as enfermeiras vieram com a maca para me levar para o centro cirúrgico. Daí começou o fuzuê!
Dissemos que eu não iria pra CC nenhum, que eu teria o neném no quarto. As enfermeiras acharam aquilo um absurdo e disseram que era contra as regras do hospital. Só sossegaram depois que informamos que isso tinha sido combinado com o GO ausente (mas que tem moral lá) e com o Pediatra, e que eu não ia sair dali!! A contra gosto elas trouxeram os equipamentos para o quarto e várias outras vezes elas reapareciam lá no quarto para averiguar o que tava rolando.
Lá no Araucária um outro obstetra me atendeu (também enviado pelo meu GO ausente). Esse médico parecia ser super gente boa, já tínhamos ouvido sobre ele. Mas nem tudo são flores, né?! Ele me examinou e disse: “4 cm só! Esse neném só vai nascer pela manhã!”. Eu pensei: “4 cm??? wtf!!!! Acho que ele errou, hein?”, mas fiquei na minha. Foi então que o simpático médico japonês puxou uma conversa nada legal:
- Eu sugiro fazer um enema (lavagem intestinal) para evitar infecção (??), e também uma analgesia. Afinal, pra que sentir dor, uh?
Eu: – Não quero fazer enema.
Marilia: – Não se faz mais enema!!!! –> neste momento o médico ignorava completamente a doula, e chegava a ser engraçado.
Anderson: – Não vai fazer a lavagem, e nem aplicar analgesia. Ela não quer!
Médico: – Ela que tem que decidir.
Eu: – Eu não quero nem um, nem outro.
Médico: – Vou deixar você pensar! (e ficou parado, na minha frente, esperando eu responder)
Eu: – Não vou responder agora, vou pensar (blefe!!!) e depois respondo. (na verdade eu queria dizer: SOME DAQUI COM SEU ENEMA E ANALGESIA!).
E então ele saiu da sala pra eu “pensar” (ha ha ha).
Nesse momento eu estava tendo contrações e sentia os puxos. Eram intensos, e como eu estava deitada na cama (o médico tinha pedido pra eu deitar pra me examinar), eu via minha barriga se mexer assustadoramente a cada contração. Certo momento tomei coragem de me levantar e pedi pra ir pro chuveiro. No começo fiquei na banqueta com a água do chuveiro batendo na lombar, mas depois preferi ficar em pé, com os quadris para trás, me apoiando na barra de ferro e no Anderson. Essa posição era ótima! Porque quando os puxos vinham, eu ficava à vontade para agachar (eu sentia vontade de agachar todas as vezes).
A sensação que eu tinha era que minha lombar ia se rasgar a qualquer momento. O Anderson e a Marilia faziam massagem na lombar e eu tentava relaxar. Teve uma hora que a dor parecia insuportável. Até pensei em pedir a analgesia tão insistida pelo médico, mas a Marilia não deixou. Ela disse “Esse é o máximo de dor que você vai sentir! Não vai passar disso!”. Ouvir isso foi um alívio…
Pouco tempo depois os puxos ficaram mais próximos, e em um deles eu tive a sensação de que a cabeça do neném estava dentro do canal vaginal. Foi num segundo puxo que a sensação ficou mais nítida. Eu estava em pé apoiada no Anderson, só nós dois no banheiro. Nessa hora eu resolvi por a mão para sentir o que estava acontecendo, porque eu tinha certeza que o neném estava coroando. E BINGO, senti a cabecinha do neném querendo sair! Chamei a Marilia e a enfermeira dizendo “- Gente! Tá coroando! O que eu faço!?”. A enfermeira estava incrédula e animada (primeiro parto natureba que ela presenciava), e se certificou que estava coroando mesmo. E foi chamar os médicos (o GO e o pediatra).
O médico pediu para que eu me deitasse na cama. Me deitei, mas eu achei que seria só pra ele me examinar, sei lá. Quando eu disse que queria ter o neném na banqueta, ele riu e disse que isso não era possível. Então eu sugeri: “E em pé, posso???”, e ouvi a mesma resposta. Nessa hora eu percebi que essas posições alternativas não estavam dentro da rotina dele, e preferi ceder (a Marilia não gostou muito, mas depois concordou comigo que isso era demais para o Dr. Enema). Ele me queria completamente deitada, e eu disse que assim não dava, tinha que ser o mais inclinada possível. Ele concordou, e nessa hora a Marilia pegou o controle da cama e foi subindo, subindo, e o médico pedindo pra parar, e ela se fez de morta e subiu um pouco mais.
Confesso que estava até engraçado ver a disputa entre o médico e nós três (acho que era quatro, porque o Pediatra é do nosso time também! Mas ele só ficava assistindo, ria, e não tomava partido).
O médico começou a mexer em pinças, tesouras e outros instrumentos cirúrgicos, e perguntei pra que aquilo tudo. Antes que ele respondesse eu disse: “Nada de episiotomia!”, e ele disse que se fosse necessário ele faria. E bati firme “Nada de episio, deixa lacerar, eu não ligo!!!”. Depois ele veio com um lero lero de que talvez fosse necessário deslocar o ombro do neném pra passar, e novamente eu retruquei “Não vai precisar de nada disso, você vai ver!”. E sempre que eu retrucava o Anderson e a Marilia faziam coro.
Nessa hora as contrações foram embora… o clima foi quebrado… mas eu queria meu neném comigo, e me concentrei. Fiz força. Pedi, por gentileza, que fechassem a porta do quarto porque eu queria gritar. E isso foi motivo de riso, e disseram: “Onde já se viu pedir licença pra gritar no parto?”
E eu gritei!
Ai como gritar é bom nessa hora! Eu sentia a cabeça do neném saindo e aquilo parecia fogo. Eu gritava: “Tá queimando!”, e dizia palavrões em inglês (segundo a Marilia). E logo ouvi o médico: “Já foi metade da cabeça. Faz mais uma força pra acabar!”. E foi assim… mais uma força e a cabeça saiu, e o corpinho escorregou pra fora. Nessa hora todo mundo parou pra olhar a genitália do neném. “É menino!” “Benjamin!”. E acabou o mistério do sexo do neném! hAUheuahuehauheuhae
Era 4:50 da manhã.
Peguei meu filho entre minhas pernas, ligados pelo cordão umbilical, e puxei para meu peito. Tão lindo, perfeitinho! Nasceu limpinho, de olhos abertos. E eu agradecia o Pediatra por ter ficado lá (ele disse que se desse 7h da manhã e nada do neném, ele teria que sair para o plantão no HU). O Anderson cortou o cordão depois que ele parou de pulsar. O Pediatra não fez nada no neném, só secou o cabelinho e enrolou em um lençol, arrumou o umbigo e deu a nota do apgar (1o).
Benjamin: 50,5 cm e 3,290 kg.
Como Deus é maravilhoso! (eu pensava)
Depois fiquei namorando o Benjamin enquanto o médico dava os pontos na laceração do períneo (foi pouca coisa).
Quando tudo acabou e toda a equipe médica saiu do quarto eu só queria duas coisas: comer e descansar.
A Marilia ficou esperando o marido dela vir busca-la, eu tomei um banho, e o Anderson ficou o tempo todo contemplando nosso neném.
Depois nós 3 ficamos lá no quarto, sozinhos, dormindo. Afinal, a madrugada foi animada lá! x:D
Alguns pontos importantes nesse dia:
1. Nós ‘catequisamos’ a enfermeira naquela noite. Mostramos pra ela que o parto normal/natural/humanizado é possível e não é um bicho de sete cabeças. Ela ficou muito animada e feliz por ter participado de todo o parto e por termos sido tão tranquilos com ela (na noite anterior uma outra gestante, que teve parto normal, quase matou a equipe médica, e ela estava traumatizada).
2. O trabalho de parto, ao todo, durou menos de 4:30. E o trabalho de parto ativo, menos de 2h.
3. A presença da doula foi fundamental!
4. A presença e participação ativa do meu marido foi maravilhosa. Sem ele seria impossível! Te amo forever!
5. Depois do parto me senti a mulher mais mulher desse mundo! x:)))))
6. O médico errou, o neném não nasceu depois do sol! o/

Michelle.

Relato de Parto da Carolina Barbirato - Nascimento do Yuri

O MEU PARTO FOI ASSIM..


...40 semanas e 6 dias.. Era sábado pela manhã quando fui acordada pelo líquido da bolsa molhando minha calcinha...

Calmamente acordei o Victor e disse que achava que a bolsa tinha rompido, ele acordou num pequeno pulo e os olhos arregalados. Levantei, fui ao banheiro trocar a calcinha e colocar um absorvente. Lembro de dizer para o Victor.. “E aí, tá preparado pra ser pai?”...

Liguei para a minha doula e para o meu obstetra D. Galletto que me orientou a ir para a Maternidade fazer uma avaliação. Como não estava sentindo absolutamente nada e o líquido que saía era pouco tomei um banho, me troquei calmamente e resolvi ligar para a minha mãe. Estava meio relutante em avisá-la pois sabia que ela ia ficar nervosa, mas enfim, resolvi avisar mesmo assim. Ela tentou segurar a onda mas acabou começando a chorar no telefone e eu, a grávida com a bolsa rompida, tive que pedir pra ela ficar calma.

Cheguei na Maternidade por volta das 11:30 da manhã e constataram que estava mesmo com Bolsa Rota, a médica queria me internar mas eu disse que iria para a minha casa esperar pelo Trabalho de Parto e mesmo contra a vontade dela fui embora. Antes de sair ela me disse: “Se dentro de 18h você não ganhar esse bebê você tem que voltar para tomar antibiótico pois o risco de infecção aumenta muito”... maldita hora que ela disse isso!!!

Saímos da Maternidade e fomos almoçar, no caminho atualizei minha doula e minha mãe que estava voltando para casa. Liguei para as amigas mais próximas Gabi e Mari avisando que o Yuri resolveu finalmente nascer. Depois de sairmos do restaurante ainda passei no mercado para comprar algumas coisinhas e finalmente fui pra casa.

Quando saí do carro uma boa quantidade de líquido escorria pelas minhas pernas, subi rápido pro apartamento e me enfiei no chuveiro. Minha mãe e minha irmã estavam em casa, pois eu havia pedido que minha mãe desse um jeitinho no ap pra chegada do Yuri. Nesse momento eu nem imaginava que nada do que eu havia planejado iria acontecer...

Descansei um pouco durante a tarde, ansiosa por uma contração, uma dorzinha... qualquer coisa. Passamos o sábado inteiro e nada acontecia, fiquei fazendo alguns exercícios na bola, subi e desci as escadas do meu prédio inteiro umas 3 vezes, tomei o chá da doula, andei de um lado para o outro... fiz de um tudo mas, além do líquido, nada indicava que o Yuri queria mesmo nascer. Durante a noite comecei a ficar mais nervosa e a frase da médica não saía da minha cabeça “18h horas de bolsa rota e você tem que voltar”... putz.. o tempo ia passando, passando, passando.. e NADA...

Pra ajudar o meu querido marido teve um surto de sono e capotou, nada conseguia acordá-lo... Fiquei “de cara” me perguntando como ele conseguia dormir naquela situação!! Durante a madrugada fiquei conversando com a minha doula pelo face e tentando em vão dormir um pouco.  Minhas 18h acabavam as 03:30... e por volta das 03:00 uma tempestade daquelas começou a cair, um vento absurdo e falta de energia. Resolvemos começar a nos arrumar, pegar as bolsas e toda a tralha pra irmos pra Maternidade...

Esperamos a chuva passar e fomos para a Maternidade. Como eu imaginava tive que ficar internada para tomar o antibiótico. Começava ali o início de um dia exaustivo e de muita tensão.

As más notícias começaram logo que fui internada. A enfermeira chefe de plantão proibiu a entrada da minha doula. Disse que se o pai saísse não poderia mais entrar. Ia por água abaixo, pelo menos por enquanto, a nossa ideia de revezamento marido-doula e se iniciava a minha primeira crise de choro.

Depois disso um médico muito “simpático” veio me examinar e disse com todas as letras que eu provavelmente iria para uma cesária pois estava com o colo do útero totalmente desfavorável e com 1cm de dilatação. Respondi com toda autoridade que não iria para cesárea nenhuma e que iria esperar. Assim que ele virou as costas, minha autoridade deu lugar a minha insegurança e iniciei a minha segunda crise de choro.

Falava com a minha doula pelo telefone e estávamos ansiosas para que o plantão da enfermeira-chefe malvada acabasse para tentarmos uma conversa amigável com a próxima.

As horas iam passando devagar... o cenário não era dos mais agradáveis...

Junto comigo no quarto-enfermaria tinham mais 2 meninas. Uma  delas estava totalmente descompensada de dor e gritava muito... quando eu digo muito é muito mesmo. Ela chorava, pedia socorro, dizia que estava morrendo, que o bebê dela estava morrendo, pedia “pelamordedeus” que aquilo acabasse, enfim, tava desesperada. A outra garota chorava um pouco durante as contrações e brigava com todo mundo porque ela tinha que ir para uma cesárea, mesmo sem nenhuma indicação de que aquilo fosse necessário.
Bem, e eu... Eu estava sem sentir absolutamente NADA... nem uma dorzinha, morrendo de inveja das duas meninas e me perguntando porque elas não estavam felizes por estar em trabalho de parto.

As horas iam se passando, tive mais umas crises de choro e insegurança... me via cada vez mais longe do  parto normal, e cada vez mais perto do centro cirúrgico. O meu parto humanizado e tão sonhado, com o passar do tempo, estava cada vez mais longe.
Durante todo esse tempo eu só não fiquei de ponta cabeça porque isso não ajudaria em nada, mas de resto eu tentei de tudo... Andava pelos corredores, fazia exercícios na bola, ficava no cavalinho, fazia a técnica do rebozo... e NADA...

As 16h do domingo decidimos em conjunto (eu, marido, doula, médica, enfermeira obstetra) que era necessário fazer alguma coisa para ativar o trabalho de parto e foi então que tudo começou a mudar. Nesse momento eu vi que as vezes as intervenções médicas são necessárias, e o quanto foi bom eu ter me informado durante a minha gravidez. Decidimos colocar o comprimido de misoprostol no colo do útero para ver se as contrações e o trabalho de parto se iniciavam logo de uma vez!!!

Nesse meio tempo meu marido foi dispensado, minha doula entrou em ação, conseguimos um quarto só nosso e tudo começou a fluir...

As 20h eu sentia a primeira dor do meu trabalho de parto. Não conseguia tirar o sorriso de satisfação do rosto, finalmente estava começando a acontecer, eu iria conseguir, tudo daria certo.

Liguei toda feliz para o meu marido e para minha mãe... Eu sabia que agora era só uma questão de tempo e eu teria meu filhos nos braços!!!

Mal sabia eu o que ainda estava por vir!! Mas vamos por partes...hauhauhauha

Estava tudo correndo as mil maravilhas, estávamos felizes eu e a doula. Andávamos pelos corredores, tentava ficar o mais ativa possível e logo as contrações começaram a vir mais fortes e em espaços menores de tempo.  Volta e meia aparecia alguém para ouvir o coração do Yuri, medir minha pressão e verificar se tudo estava bem.

Curtia cada contração, respirava fundo e me deixava levar pela dor, sentia as mãos carinhosas da Marília nas minhas costas e isso era muito reconfortante.

Por volta mais ou menos da 01:30 de segunda-feira o bicho começou a pegar. As contrações estavam bem fortes, tão fortes que eu achei que o Yuri já estava nascendo e pedi pra Marília ligar para o Victor. Fiz o coitado sair de casa e ficar na porta da Maternidade... ele iria esperar ainda por um bom tempo!!!

Daí pra frente eu não lembro direito o que aconteceu... Eu perdi totalmente a noção de tempo e espaço. Entrei de corpo e alma na Partolândia. Lembro de falar pra Marília.. “onde eu tô?”... ficava meio sonhando e meio acordada. Pensava muito no Victor, queria muito que ele estivesse ali também. Lembro de ter ligado pra ele, mas não lembro o que eu disse, acho que só queria escutar sua voz, queria que ele dissesse que tudo daria certo.

Doía muito, muito mesmo... E eu comecei a choramingar, nos momentos de quase lucidez dizia pra Marília que queria ir embora, queria ir pra casa, que não ia aguentar, que estava doendo muito... Ela calmamente me dizia que estava acabando, que eu ia aguentar sim, era isso que eu queria e eu não ia desistir. No fundo... bem no fundo do meu subconsciente eu sabia que ela tinha razão... mas eu tava com muita dor pra chegar até tão fundo.. e continuava choramingando.

Não sei exatamente quando e como eu fui parar deitada na cama para um “bendito” médico fazer um exame de toque bem no meio de uma contração. Ele ainda disse que não era pra eu gritar, nem socar a parede (como eu havia feito enquanto ele estava com o dedo LÁ durante a contração), que era aquela dor que iria trazer o bebê e que eu tinha que relaxar!!

Nesse momento eu lembro de ter pensado em duas opções: 

- A primeira era chutar a cara dele, e eu estava bem posicionada pra acertá-lo em cheio, e mandá-lo tomar naquele lugar.

- A segunda era fazer o que ele queria pra ver se ele saía logo da sala e, principalmente, se ele tirava a mão de dentro de mim.

Bem, o meu bom senso me fez optar pela segunda opção. O médico “de”sumanizado  ainda ficou com a mão LÁ por mais uma contração pra confirmar se eu era uma boa menina e não ia fazer mais escândalo. Eu aguentei firme por mais uma vez e fiz exatamente o que ele pediu.

O excelentíssimo disse que eu estava com 5 pra 6 cm de dilatação. Mas eu, a doula e a residente que já havia me examinado antes sabíamos que ele estava errado. O Yuri já estava quase lá!!!

Pouco tempo depois eu comecei a sentir vontade de fazer força. Pedi permissão para minha doula que disse.. “Tá com vontade de fazer força? Então faz!!!”

Depois do maldito exame de toque eu não conseguia levantar de jeito nenhum da maca. Vinha uma contração atrás da outra.. e a vontade de fazer força só aumentava. Eu queria muito me levantar, sabia que aquela posição só ia desfavorecer a descida do Yuri, e que ia ser pior pra mim também. Mas depois de algumas tentativas frustadas acabei ficando deitada mesmo.

A cada contração eu segurava uma das pernas e a Marília segurava a outra e eu fazia força e gritava. Mas não estava dando muito certo. A posição deitada não me deixava fazer a força do jeito certo, eu tava fazendo a força com a garganta e não com o abdômen. Era muito grito pra pouca eficiência.

Depois de mais um tempo a médica do comprimidinho milagroso apareceu pra me examinar e disse que daqui uns 20 minutos voltava para me levar para a mesa de parto. Hein?? Mesa de parto?? A famosa mesa deitada com as pernas para o ar??? Nós ainda tentamos dizer pra ela que queríamos a outra mesa que tem lá na Maternidade que é melhor para posições  verticais, mas ela falou de uma tal manobra de ombro do bebê e blábláblá...

Quando ela virou as costas já estava decidido por mim e pela Marília sem termos que trocar nenhuma palavra. Eu teria o Yuri ali mesmo, não sairia daquela maca por nada no mundo. A Marília fechou a porta, e teve a brilhante ideia de erguer o encosto da cama. Já que eu não conseguia levantar a gente teve que improvisar.

Na posição mais sentada eu comecei a fazer a força do jeito certo  e agora não doía mais. A cada contração eu respirava fundo, segurava a barra de ferro da cabeceira com as duas mãos, fazia força no abdômen e não gritava. Eu sabia que se quisesse ter me filho em paz teria que me esforçar e ser mais rápida.

Depois de pouco tempo ouvi a Marília dizer: “Está coroando, você quer sentir a cabecinha dele?”... No primeiro momento eu exitei, não queria perder o foco das contrações, mas depois eu coloquei a mão e senti os cabelinhos do Yuri. Aquilo me deu um novo fôlego, estava acabando.. estava acabando.. estava acabando...

Nesse momento eu comecei a chamar pelo Victor, não queria que o Yuri nascesse sem a presença do pai. Eu sabia que a Marília queria me proteger ali no quarto, mas sabia também que ela iria me respeitar e chamar o Victor na hora que o Yuri estivesse nascendo.

Me lembro de vê-la saindo pela porta, pouco tempo depois apareceu uma residente de olhos arregalados (ela nunca tinha feito um parto antes) e a Marília dizendo pra ela ficar ali comigo.

Aqui preciso fazer uma pausa pra explicar o que estava acontecendo...

Por obra de Deus e de Nossa Senhora que eu chamei por tantas  e tantas vezes, todas as 4 grávidas internadas estavam dando a luz ao mesmo tempo que eu. Por esse motivo que a médica que iria voltar dentro de 20 minutos não apareceu mais. A equipe toda corria de um lado para o outro pra atender as meninas e como eu tava ali bem quietinha e com a porta fechada fui “esquecida”. Era tudo que eu precisava!!!

Bem.. voltemos ao quarto e ao nascimento do Yuri!!!

A residente de olhos arregalados se posicionou pra receber o Yuri. Ao avistar um médico passando pelo corredor ela tentou chamá-lo mas eu a impedi dizendo que não queria médico nenhum! Ela disse em meio a um sorriso “Você é louca”... eu segurei no braço dela e com os olhos disse que nós faríamos aquilo juntas. Ela entendeu e não falou e nem chamou mais ninguém.

Depois disso só me lembro de ver o Victor entrando pela porta, as luzes sendo acesas sei lá por quem. O Vitor se posicionando ao meu lado e sentir sua mão no meu ombro. Pronto! Agora nosso filho poderia nascer.

Fiz uma força... metade da cabeça...

Mais uma força... cabeça inteira...

Mais uma super força...Yuri

Parir descabela a gente! E emociona...!!!
Abri os olhos e vi meu filho todo melecadinho ali na cama entre as minhas pernas. Não consigo explicar o que senti naquele momento. É como se meu coração tivesse parado. Aquela frase super clichê: “A partir daquele momento o meu coração começava a bater fora do meu peito” descreve mais ou menos o que eu senti.

40 semanas e 7 dias de espera, 3 meses de muitos enjoos, barriga crescendo, noites mal dormidas por causa da barriga, curiosidade, preparação, ansiedade, espera... dores... e finalmente meu filho chegava ao mundo.

Ele era lindo, perfeito. Yuri nasceu de olhos abertos para o mundo. E logo seus olhinhos encontraram os meus. Depois de terem cortado seu cordão (contra a minha vontade, que pedia para colocá-lo logo nos meus braços) eu pude sentir aquele corpinho quente e aquele cheirinho de vida. Eu ainda me lembro do cheiro do meu filho quando nasceu!!!

Abraçada com ele eu olhei pro Victor e pude sentir também a sua emoção. Era o nosso filho, fruto do nosso amor, da nossa história, das nossas escolhas...

E a partir dali seríamos nós três.. a minha FAMÍLIA!!
NÓS...

YURI.. NOSSO PRÍNCIPE!!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Relato de Parto da Karina - Nascimento da Anna Carolina

Londrina, 15 de junho de 2012


João 16:21 “A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já não se lembra da aflição, pelo prazer de haver nascido um ser no mundo.”

Obrigada, Senhor, por eu ter conseguido meu tão sonhado VBAC (parto normal depois de uma cesárea), quando peguei a Carol pela primeira vez em meus braços, só vinha a minha mente Efésios 3.20:  “ O Senhor é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos, ou pensamos.” Deus é fiel!!!!
Esse parto começou desde que eu tive a Bia, de uma cesárea ou melhor desneCESÁREA em maio de 2007. Eu queria ter parido a Bia, mas no final da gravidez vieram as enganações: “o cordão está enrolado no pescoço, só vamos esperar até 38 ou 39 semanas, o líquido amniótico está diminuído, a placenta envelheceu.” E acabei entrando na faca por falta de informações. A cesárea não dói na hora, mas depois... o pesadelo começou quando cheguei em casa com a Bia nos meus braços, com uma bebê sonolenta (embebida em anestésico com toda certeza), eu desanimada, cansada, acabada, cortada, super medicada (antiflamatório, remédio para gases e antitérmico), depois de um tempo, eu só pensava: Meu Deus, não pode ser assim a melhor forma de um bebê nascer, não precisa ser assim... e fui resgatar, como fera ferida, a parte do meu parto que me tinha sido roubada!
Comecei a procurar na internet saber sobre parto normal, foi quando comecei a ler sobre parto humanizado e isso foi formando meus conceitos e desejos: aquele era o jeito certo de trazer um filho ao mundo, com respeito à mulher e ao bebê, onde a mulher é a protagonista do seu parto.
Nessa época mudei para Londrina e conheci a Edi, que mesmo tendo pouco contato, tenho um enorme carinho, ela teve a Luiza de parto humanizado com o dr. Alessandro Galleto, foi lindo o relato dela, eu chorava ao ler, era aquilo que eu queria para mim! Ela me apresentou a doula Pata, conversei algumas vezes com ela, ela me indicou sites e grupos de apoio e eu corri atrás do que eu queria 5 anos antes de ter a Carol. Dessa busca indiretamente nasceu aqui em Londrina o Gesta, apoiando as grávidas que querem parir dignamente, pois eu apresentei a Pata, coordenadora do GestaMaringá, a minha doula Marilia, que hoje coordena o GestaLondrina.
Meu parto começou no dia 11 de junho, o que chamamos de pródromos, que é um preparo do corpo para o parto: estávamos na reunião de oração do JUNHORANDO e quando terminou fui pegar a Bia na salinha das crianças e a tia perguntou para quando era o bebê e eu disse, acho que para hoje, porque minha bolsa acabou de romper. Ela ficou toda nervosa, oferecendo ajuda e eu a despreocupei, dizendo que estava tudo bem. Na verdade nessa hora, eu comecei a pensar no que ia fazer, já que meu médico só chegaria na sexta e eu não queria cair numa cesária de jeito nenhum. Pensei em ir para a maternidade Municipal para ter chances de parir. Ao chegar em casa, liguei para minha doula que mandou uma mensagem para uma enfermeira obstetriz do GestaLondrina (grupo de gestantes a favor do Parto Normal), a Telminha, e se enganou e mandou uma mensagem para a secretária do meu obstetra, a mulher ficou doida, dizendo que eu tinha de ligar para ela, para ela dar as coordenadas do que fazer, que um parto é uma coisa complicada, é delicado... coitada!
Naquela noite começaram as primeiras contrações, bem fraquinhas e sem ritmo. Amanheceu e nada de contrações. Decidi fazer uma cardiotoco que eu tinha o pedido comigo, estava tudo bem com a Carol. À tarde o médico que o doutor Galleto deixou no lugar dele quis me ver, fui ao consultório e ele disse que a bolsa não tinha rompido, que meu útero ainda estava alto e que eu podia ficar tranquila. Ainda me elogiou dizendo eu ser corajosa por querer um parto normal e que segundo a análise dele eu poderia parir sim. Toda noite vinham as contrações fraquinhas e sem ritimos, eu sabia que estava perto, mas conversava com a Carol para ela esperar até sexta... graças a Deus tudo deu certo! Quinta foi um dia agitado, foi quando terminei de fazer as lembrancinhas da chegada da Carol, comprei um roupão de flanela bem quentinho para usar na maternidade, umas touquinhas para a Carol, meias e cacharrel de lã para a Bia, fui à pediatra que iria assistir ao nascimento da Carol e quando foi 3 horas da manhã as contrações começaram, sem ritimo, mas fortes, quando foi 5 da manhã elas vieram regulares e de 5 em 5 minutos. Liguei para minha doula e amiga Marilia e disse que queria ir ao hospital porque “o bicho estava pegando”. Eu tentei sentar na bola durante as contrações fortes, mas doía mais ainda... cheguei no hospital com 7 de dilatação e fui para 9 rapidinho... mas aí as coisas ficaram mais lentas. Dilatava mais um pouco, a Carol descia mais, mas eu não sentia aquela vontade de fazer força para o bebê nascer.
Definitivamente hospital não é o lugar de um bebê saudável nascer! Eu ia andar no corredor durante o trabalho de parto e as pessoas achavam que eu estava passando mal, perguntavam se eu queria ajuda, que chamasse socorro, aquilo me irritava muito, porque eu estava em um momento meu, introspectivo, eu estava vivendo uma experiência maravilhosa, sonhada, estar em trabalho de parto te coloca em outra dimensão, uma coisa meio doida, mas as pessoas falando e oferecendo ajuda me tiravam do clima de “partolandia”. Decidi ir para o quarto, fiquei no chuveiro, sentada na escadinha para subir na cama (poxa, podia ter uma banquetinha, né? Investimento tão alto para o hospital...), era uma delícia ficar ali. A todo momento a Marilia estava ao meu lado, fazendo massagem, jogando óleos no box, me oferecendo alimentos, e tentando conter o entra e sai de enfermeiras e funcionárias do hospital que cortavam o meu clima de parto natural. Aceitei a ocitocina para tentar acelerar o trabalho de parto, mas a evolução foi pouca. Tentei parir na poltrona, tentei parir na cama, não tinha posição, não tinha apoio (poxa, uma barra de ferro também deve ser um investimento muito alto para o hospital...) Eu não ia conseguir? Veio dúvida nessa hora. Foi quando o dr. Galleto disse que eu ia para o centro cirúrgico, pois o período expulsivo estava muito longo: fui desesperada, chorando e achando que ia ser anestesiada, cortada e que a Carol seria puxada com fórceps, achei que ia ter um parto normal Frank (desrespeitoso) ... quando cheguei no centro cirúrgico falei para o doutor dar logo a anestesia e me cortar, e ele perguntou o que eu estava falando, que não ia ter nada disso, que ele só ia me deixar em uma posição melhor para eu conseguir parir. Pedi para as enfermeiras deixarem minha doula entrar, ela também sonhou comigo esse parto. Eu acho que as enfermeiras estavam tão na torcida de tudo dar certo, que se eu pedisse para entrar qualquer pessoa, elas deixariam, elas acompanharam todas as 12 horas de trabalho de parto e creio que torceram pelo parto normal acontecer, coisa rara, uma vez que 95% dos nascimentos são cesáreas. Coloquei meu pé naqueles estribos e quando segurei na barra de ferro a Carol veio na terceira contração! Que alegria, que orgulho, que garra, eu consegui meu VBAC, coisa rara nesse mundo medicalista, cesarista, desrespeitoso com a escolha da mulher... toda mulher merecia um parto digno, segundo sua escolhas. Me lembrei de algumas pessoas que tiveram parto normal totalmente desrespeitoso, totalmente brutal, que foram rasgadas, mal costuradas, que foram “punidas”. Me lembrei das amigas que queriam um parto normal e que foram enganadas pela conversa do médico que não espera o tempo do bebê nascer, e dão mil desculpas para levar para a faca. Me senti privilegiada por ter um parto respeitado.
A Carol chegou calma, veio direto para meus braços, eu lembro de fazer uma oração de louvor, agradecendo a Deus sua fidelidade, seu imenso amor, foi muito emocionante: a Carol veio direto para meus braços, mamou, tudo na paz, sem sem intervenções (aspiração e coisa do gênero). A dor faz parte, doeu sim, nem tanto quanto imaginei, mas passou no momento em que peguei a Carol no colo. Eu usei a dor como aliada e não como inimiga, eu sabia que ia doer e sabia que ia passar, e eu precisava passar por isso para dar o melhor para a Carol. Depois tudo passou, eu estava lúcida, feliz, orgulhosa de ter conseguido... valeu! Depois do meu parto tomei uma banho gostoso, fui ver minha filha, comi, curti a vitória do meu parto com meu marido, vi a Bia que me deu uma enorme alegria e lembrança do que vivi no parto dela e do que estava vivendo naquele dia, foi maravilhoso!!!
Achei legal meu marido dizer que não se assustou ao ver a cabecinha da Carol coroando, achei legal a Bia comemorar que a Carol nasceu da perereca, minha família abraçou meu sonho.
Primeiramente agradeço a Deus, de quem sou totalmente dependente, que é fiel sempre! Ao meu marido que me apoiou em tudo que precisei, respeitou minhas decisões e escolhas, que sonhou comigo o desejo desse parto. À Bia, minha filha, que me inseriu no mundo mais maravilhoso que pode existir, a maternidade; ela é meu tesouro, meu amor, minha companheira; à minha mãe, que e orou por mim durante toda gravidez; à minha irmã Bruna, curiosa em relação ao meu parto, sempre admirando a escolha e torcendo por mim; ao grupo de oração Ore+, que esteve em oração durante meu trabalho de parto; a minha doula Marilia, que esteve junto o tempo todo, era minha voz nas contrações e momentos em que eu queria silêncio, doula é essencial, valeu cada centavo; ao dr. Galleto que me respeitou como mulher, como ser humano, que não roubou meu protagonismo; a dr. Rosana que assistiu à Carol e não fez intervenções desnecessárias; a todos os amigos e família que participaram da minha gravidez, do meu sonho... eu amo ser mãe, eu amo parir... eu quero mais!!! Mulher saudável, com bebê saudável, pode parir em qualquer lugar, só precisa de Deus e mais nada, Deus é perfeito!
Karina Abs Brandão, de alma lavada!!!
Mãe da Bia, 5 anos, nascida de desneCESÁREA eletiva e da Carol, RN, nascida de um lindo VBAC.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Nasceu o André da Karin e do Orlando



Nenhuma de nós acompanhou este parto :D mas vou postar direto o relato para vocês, porque foi especial, foi inusitado, foi tudo de lindo e engraçado também! 

Eles nos procuraram para ter o bebê em um parto hospitalar, depois domiciliar e depois... leiam! 
Segue o relato que foi feito a quatro mãos, e não poderia ser diferente. As falas da Karin estão entre parênteses e em negrito.


Os filhos são uma benção sem medida na vida de um casal. A Bíblia diz que eles são tão especiais que são” a herança do Senhor". Nosso primeiro filho Daniel, com 4 anos nasceu em Sinop no MT de parto normal. Na época pouco informados, sofremos bastante. Minha esposa sofreu o que os "naturebas" adeptos do parto humanizado e natural chamam de violência obstétrica. Sempre me senti em falta com ela, por não tê-la protegido do nosso sistema deficitário de parto hospitalar. No segundo filho decidimos que tudo seria muito, mas muito diferente... Morando em Londrina há pouco tempo, passamos por vários obstetras e para dizer a verdade, pelo menos na minha visão, parecia que por mais que nós quiséssemos, o pesadelo de um parto hospitalar, cheio de intervenções e desrespeito iria se repetir... Um dia navegando na NET, descobri uma doula em Londrina, a Marília Mercer, que tornou nosso caminho bem menos tortuoso. Depois de muito pensar, pesquisar e planejar decidimos pelo parto domiciliar com a equipe da Regina e da Juliana de Maringá. Só tínhamos um problema – a presença da minha sogra, que viria na data provável do parto para dar apoio a Karin, e que, na nossa visão, acharia isso tudo uma loucura. O plano B era que, caso ela viesse, tentar um parto o mais natural possível em um hospital com o médico mas humanizado que pudemos encontrar em Londrina. E minha sogra chegou no dia 26/09, toda dividida no fico ou não fico pois minha cunhada, morando em Itatiba SP, também estava com a cesárea marcada na mesma data provável da Karin(01/10). Então, no dia 30/09, decidimos ir para Itatiba, onde mora a sogra e cunhada, e resolver a questão a mãe que estava dividida em duas filhas que estavam para parir. A decisão foi dela, eu não queria de jeito nenhum, mas como dizem que parturiente não pode ser contrariada, srrsrsrs, decidi apoiá-la. A Karin estava segura de que pelo menos em Campinas, que é do lado de Itatiba, acharíamos condições próximas daquilo que procurávamos. Chegamos em Itatiba no dia 30/09. No dia 01/09, nasceu meu sobrinho de cesárea e descobrimos que nem em Itatiba, nem em Campinas teríamos condições para um parto humanizado. No dia 01/09, conseguimos consulta com o obstetra mais indicado da cidade. A Karin faria 40 semanas do dia 02/09 . Ele foi bem direto: “Faço parto normal, se tiver que fazer epísio, eu faço, tem que ser na mesa de parto na posição ginecológica, e se for necessário, cesárea.” Tentamos até conversar com ele sobre outra posição de parto de ele replicou: “ Para os naturalistas, tudo faz mal...”Fez um toque nela e nada de dilatação e o André ainda não encaixado... Decisão do médico: “semana que vem volta aqui que vamos tentar induzir”. O que nos acalmou, foi que eu poderia ficar com ela no trabalho de parto, pagando um extra para o Hospital, pois nosso plano é enfermaria. (e eu já ia imaginando que não sairia de modo algum desse quarto, até que o bebê nascesse!). Na madrugada do dia 03/10, fui dormir a 1h... super angustiado, pensando na minha frustração, no parto terrível que ela teria, decidi que iria convencê-la a voltar para Londrina. Orei a Deus pedindo que nos desse um sinal de que ela poderia ter o parto ali em Itatiba e a Benção Dele quando chegasse a ora. Deus que é paciente e bondoso, respondeu prontamente, minha oração. As 3h do dia 3/10 a Karin acordou com dor forte. Às cinco ela já estava gemendo e com contrações regulares (mas ainda suportáveis). As 5:30 ela me disse: “Vou ter que ir para o hospital pois vou começar a gemer e vou acordar a casa toda”. Quando chegamos na maternidade, a plantonista foi uma LADY conosco... pediu para eu sair e foi examinar a Karin... na altura era umas 6:15... a Karin estava, como dizem os naturebas, EMPODERADA... (agora as dores estavam insuportáveis, e o primeiro “puxo” aconteceu.)... a médica pediu a ela que deitasse na mesa para examiná-la. Ela sabia que viria uma contração... e a KARIN: -“ não vou deitar”... a médica, que escrevia algo em sua mesa: -“ se vc não deitar não posso examinar”... Karin: “A hora que você parar de escrever eu deito”... eu na porta ouvindo tudo... rsrsrs... Nisso ela já tava dando aqueles gemidos que só via no 1 BB por minuto da discorvery home and Health... quando a querida plantonista, sai da sala de exame, olha para nossa cara após ausculta e toque (5 cm) e diz: “vcs tem q ter paciência pois a maternidade tá cheia e não tem quarto pra ela....eu, tenso:” como não? Já concordei em pagar a mais para ela ficar sozinha comigo em um quarto diferenciado... a médica: “eu sei mas o quarto é longe e não tem como acompanhá-la... não adianta, fique calmo que hora que desocupar o quarto vcs entram...”. Pra se ter uma ideia, o quarto desocupou às 9:00h o André nasceu bem antes... Em seguida chega minha sogra e minha cunhada, que estavam no hospital em virtude da dita cesárea... As duas com olhares chorosos ao verem a dor dela, me deixaram um pouquinho mais tenso... rsrsrsrs... Fui à enfermaria e disse:” Ficar calmo numa hora dessas é um dom divino, ela está em franco trabalho de parto e precisa de um quarto com um chuveiro, pooooorfavooooooorrrrr.....(e eu continuava no banheiro do consultório já fazendo cocô com os puxos, motivo de eu nunca ter sonhado com parto na água rsrsrs!!!). A médica me olha com aquela cara de :” não te ouvi, suma daqui e continue calmo”... rsrsrs. Nisso alguém fala: “ Dra, a sala de pré-parto tá vazia, vamos colocar ela lá até desocupar o quarto para eles” Corremos pra lá e enfim sós... 6:40... a Karin, entrou no chuveiro... (lá pelo sexto puxo) e eu muito calmo mesmo, não tinha pena das dores e gemidos dela (mas devia! rsrsrsr)... parecia a coisa mais fisiológica que já vi na vida... Do chuveiro, ela subiu na cama (a técnica disse –pode deitar- e eu subi na cama com os pés e fiquei de cócoras meio de 4 e disse pro Orlando: “daqui não saio e ninguém me tira) e ficou numa posição ajoelhada com o tronco apoiado na cabeceira da cama... não queria massagem e nem nada... tava em transe mesmo... só me falava: “aaaaaaaai amor, aaaaaaaaai amor”... (devo ter tido apenas uns 8 puxos, os últimos 3 muito longos e logo o André nasceu. Glórias a Deus!) pediu uma compressa quente nas costas... Comecei a observar algo que parecia a ponta da cabeça do bb... quando veio um contração e metade dela saiu e entrou de novo... relatei a ela o que eu tava vendo... ela fez força de novo e a cabeça inteira saiu (aí eu ajudei os puxos e pensei: não vai voltar não! Coloquei força na contração...) vi o André com os olhos piscando e com duas voltas do cordão no pescoço e perguntei:” quer que chame alguém, ele vai nascer na próxima contração” Ela disse: “Não”... na hora orei a Deus novamente pedindo sabedoria, quando ela fez força e o André nasceu em minhas mãos às 7:00h da manhã.... na mesma hora ele chorou... desenrolei o cordão, passei ele pelo meio das pernas dela e ela o abraçou... foi a coisa mais incrível de nossa vida.... até agora parece que não vivemos aquilo... Passado um tempinho, abri a porta da sala de pré-parto e dei de cara com a cunhada e a sogra que viram a Karin com o André molhadinho, e anunciei em bom tom no corredor da maternidade: “O neném nasceu”... rsrsrs foi um vuco, vuco... minha cunhada indignada grita no meio da correria do povo da enfermagem: “como assim nasceu?, cadê o médico?” Outras parturientes que perceberam o que aconteceu tb se indignaram achando que a Karin havia sido negligenciada… na verdade ela foi... mas que negligência abençoada!!! Tenho certeza que se tivéssemos chamado alguém, a Karin teria sido arrastada até a sala de parto com a cabeça no André no meio das pernas e o resto seria aquele protocolo que nós naturebas já sabemos... rsrsrs Depois do barulho do nascimento natural no meio do hospital, a obstetra de plantão chegou, agora toda querida... imaginem porquê, né... e permitiu que eu cortasse o cordão após ter parado de pulsar e a examinou constatando um laceração leve... o André foi levado por uma enfermeira que se achava dona dele para dar banho... o Dr. Fulano que havíamos conversado, chegou, fez a sutura que tinha que fazer e fez um comentário contrário a tudo o que temos lido: “ a posição que ela adotou favorece a laceração, mas ela tá ótima”... (estou super bem... nem sinto a laceração... comparar com epísio é loucura! ) srsrsr Alguns viam me falando: “nossa vc é corajoso, ajudou no parto do bb!”... e tal... eu não vejo mérito algum em mim naquele momento... o único que tem o mérito para nós, é nosso Criador... Foi Ele que nos criou - uma máquina incrível e perfeita. É Ele que nos sustenta e nos dá Sua força nos momentos difíceis. (foram dores terríveis...rsrsrsr...mas foi muito rápido!). Foi Ele que naquele momento tão singular, esteve com a Karin dando forças (empoderamento) para que ela fosse a mulher que Ele a criou para ser. Louvamos a esse Deus que fez, que tem feito, e sempre fará muito além daquilo que pedimos ou pensamos.

Abraços a todos os naturebas!!!

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Relato da Juliana Carvalho do Nascimento do João

Dia 14 de Agosto de 2012. Dois dias apenas de atraso menstrual e uma vontade enorme de estar grávida me levaram a fazer o teste de gravidez. Positivo! Uma alegria enorme tomou conta de mim. Marido feliz, primeiro neto vindo pros meus pais, primeiro sobrinho de duas tias corujas.. E nesse clima de realização passei os 8 meses que se seguiram. Não tenho absolutamente nada do que reclamar da gravidez. Não enjoei, dormi bem todas as noites, não senti dor de coluna e João permaneceu a gravidez toda super bem. Me senti linda, em paz, amada, foi uma sensação sublime a de estar grávida. Muito mais do que eu podia algum dia ter imaginado. Cuidei do meu corpo, cuidei do meu espírito, cuidei da minha mente, de tudo que pudesse pra realmente permitir aquilo que eu vivia ser algo transformador na minha vida.

Eu quis muito e batalhei muito pra dar ao meu filho um parto que eu julgasse digno pra ele. Quem me acompanhou sabe disso. Não pude permitir que o NOSSO momento, meu do João e do Fred, fosse roubado de NÓS. E pra fechar esse ciclo, eu queria muito que o parto fosse como sempre sonhamos.
Depois de 40 semanas e um dia de gestação, a bolsa estourou. Alegria, alegria! Domingo, 21 de abril. Rompeu enquanto eu dormia. Acordei umas 06:00h, fui ao banheiro, liquido claro, pouca quantidade. “Eeeeeeeeeee!! Acho que João tá vindo!”. Poucas contrações inicialmente, e quase nem doíam.

- Amor, amooor (amor dormindo), acho que a bolsa estourou.

- Tem certeza?

- Não, mas acho que sim. Vou ligar pra Marília (doula).

No dia anterior eu havia participado de uma oficina maravilhosa conduzida pela Claudia Rodrigues, sobre gestação e parto. Como eu já estava com 40 semanas, durante a oficina, a Claudia fez uns exercícios comigo ensinando como chamar as contrações quando eu entrasse em trabalho de parto. Tiro e queda. 12 horas depois meu TP começou.

Avisei a Marília que não iria ao segundo dia de oficina por motivos óbvios. As contrações começaram logo em seguida, ainda sem ritmo, e não duraram muito tempo. Resolvi descansar, tentar dormir de novo, porque eu não descartava a possibilidade de um TP longo, sempre achei que eu deveria estar preparada pra isso. Tanto que imaginei que João só fosse nascer no outro dia. Pra mim se ele nascesse até meio-dia de segunda eu estava no lucro. Umas 10:30h as contrações pararam. Liguei pra Lia (parteira), e ela me passou as orientações. Caminhada, boa alimentação, “14:30h nos falamos de novo”.Eu e Fred caminhamos pelo condomínio, fomos no mercado, conversamos, sonhamos, imaginamos, e vivemos, juntos, cada contração que meu útero fazia. Fred foi muito parceiro! Me apaixonei muito mais por ele a partir desse dia.  14:30h liguei pra ela de novo: “Nada, Lia, tudo na mesma”.  14:31h veio a primeira contração. Fred ia anotando tudo, o intervalo e a duração das contrações. E eu contando jacarés: 1 jacaré, 2 jacaré, 3 jacaré, pra ver a duração de cada contração.. hahahaha.. No início elas duravam uns 20 jacarés, e vinham a cada 8 ou 9 minutos. Até 16:30h alternamos caminhada e descanso em casa. Nessa hora elas já duravam um pouco mais, e intervalos um pouco menores. Liguei novamente pra Lia e ela disse que já estava se preparando para vir, ela e a Cris (enfermeira neonatal). “Mas já?????” Eu perguntei. Como assim? Eu tava me sentindo tão bem, as contrações não doíam muito.. como assim eu já estava em trabalho de parto? Daí pra frente o tempo simplesmente voou. Impressionante como a gente perde a noção do tempo durante o TP. No início da noite as minhas mulheres queridas chegaram. Primeiro a Claudia e a Re, doula também, vieram por amizade e foram lindamente parceiras em todo o processo do parto. Logo depois a Marília, Lia e Cris. Nesse momento a gente já não contava mais as contrações. Com as meninas aqui estávamos seguros e prontos pra todo o processo. Consegui ficar na sala com elas por um tempo, mas as contrações foram ficando mais dolorosas, e pediam pra que eu me concentrasse mais nelas. Quando as contrações vinham eu fechava os olhos, sentia aquela onda vindo e indo, e daí eu voltava, embalada por mantras que tocavam no som. E eu achando que tava tudo sob controle ainda, “isso vai demoraaaaar” eu pensava. A Claudia sugeriu que eu e Fred fossemos pro quarto. Mocinha sabida das coisas. Entrei no quarto e mergulhei na partolândia. Passei a não raciocinar mais a partir desse momento, deixei a sagrada natureza me guiar. Perdi a noção do tempo, não ouvi quase nada, vi pouca coisa. A partolândia é um local de sensações, mágicas sensações. A dor começou a apertar e incomodava mais. Deitei na cama, fiquei na bola, me ajoelhei no chão, e as contrações vinham e iam. O Fred ficou o tempo todo do meu lado. Ele me lembrava de respirar corretamente quando a dor vinha, me segurava nos intervalos, sussurrava amor e força nos meus ouvidos. Não me lembro muito das palavras dele, mas me lembro perfeitamente de sentir a voz dele dentro de mim. O tempo todo! Num certo momento ele saiu (depois eu soube que era minha sogra no telefone, ela nem ninguém da nossa família sabiam do parto, achamos melhor assim) e a Marília veio fazer massagem em mim. UAUUUU, que massagem! Sentia como se mil mãos me tocassem nas costas naquele momento. A bolsa rompeu de vez durante a massagem. Tirei a roupa e fui pro chuveiro.

Dor, intervalo, dor, intervalo, doooor, intervalo. E o mergulho era cada vez mais profundo. A Marília me entregou a banqueta de parto, e ficamos ali algum tempo. Não me dei conta em que momento todas as maravilhosas mulheres já estavam ali no quarto acompanhando a gente. Vi a Lia no banheiro enquanto eu estava no chuveiro, isso era sinal que nosso João não demoraria muito. Ela ouviu o BCF do João pra ver se estava tudo bem, e me avisava que sim, estava, “tá ouvindo? Tá tudo certo, meu bem.” Lia, santa Lia. Como era bom ouvir a voz dela ali!!!  Me senti tão segura com a presença dela. Ondas cada vez mais dolorosas, mais profundas, e ficar no chuveiro já não estava mais legal. Então vamos para o quarto. “Posso ir?” Eu perguntava pra Lia. “Claro que pode”. Ajoelhei no chão e me debrucei sobre a cama. E isso aconteceu algumas vezes: banheiro, quarto, chão, cama. Me lembro bem de um momento que saí do banheiro e entrando no quarto veio uma contração daquelas, de literalmente derrubar. Me pus de cócoras no chão, não rolava ficar em pé. E gemi, com vontade! Nessa hora eu tive um momento de consciência do que acontecia ao meu redor. Caramba, que dor!!! “Caralhowwww, isso dói muito!”, eu repeti essa frase algumas vezes depois disso. BCF do João de novo, tudo certo. Acho que ela fez isso umas 3 vezes só. Ela me tranquilizava e incentivava a continuar na entrega.. João estava chegando. Dor mais forte, concentração cada vez mais difícil. A essa hora meu corpo vinha passando pelos puxos. No chuveiro, tive consciência deles. Putz, era uma dor rasgada mesmo. Quis não senti-la mais, quis que tudo acabasse logo. Comecei a pedir pro João chegar, se ele demorasse parecia que eu não ia aguentar. ”Vem, João, vem, João!”, pedíamos juntos.  Até que.. um coágulo coroou (pois é!), e a Lia achou que fosse o João. “Aahhh, que bom, ele tá chegando, ele tá chegando, já está acabando”. Tinha pouca luz ali na hora. Quando saiu o coágulo eu fiquei muito frustrada!

Voltei pro quarto, pra beira da cama, na banqueta, e comecei a pedir ajuda. Porra, tinha que existir alguma coisa que eu pudesse fazer que faria o João nascer e aquela minha dor ser aliviada, ou então não ia rolar, eu pensava. A Lia me mandava manter a força quando ela vinha, mas eu não conseguia. A Claudia sugeriu ao Fred que fizesse cócegas na minha barriga pra aumentar as contrações, ou a duração delas, não sei. Lia ouviu o BCF mais uma vez e me mostrou a pontinha do mindinho e disse: “falta isso aqui”. “Vem, João! vem, João!”. A Claudia e a Marília seguravam meus pés pra que eu mantivesse minhas pernas afastadas. Eu sabia que deveria mantê-las assim, mas meu corpo era tomado por movimentos involuntários, guiado por uma força que só quem passou sabe. Mais uma força, movida a muita dor, uma dor ardida e cócegas (um pouco irritante demais), e a cabeça dele começou a aparecer! As meninas iam me narrando, e o Fred a essa hora já ria. Era só manter, eu pensava! A Marília perguntou se eu queria o espelhinho, ou se eu queria tocar a cabeça dele, mas eu não quis. Fiquei com medo de me frustrar de novo, “vai que ele não tá tão pra fora quanto estou sentindo”. Mais uma força e a cabeça dele saiu. “Eu tô vendo, tô vendo”, o Fred falava, todo animado! A Lia me avisou que o cordão estava enrolado no pescoço, mas que ela já havia retirado a volta. Estava acabando e eu ia ter meu filho comigo, ia finalmente ver o rostinho dele! Gritei pedindo pro João vir, e mais uma força bruta veio! Mais um grito, fooooorça.. até que vi as mãos da Lia pegando meu pequeno e colocando ele na minha barriga. 00:01h do dia 22 de abril. Eu o peguei, o toquei, e senti seu cheiro. Que cheiro!!!!! Que cheiro maravilhoso!!!!! Ele estava com a cabeça caidinha virada pra baixo. Eu o trouxe pra mais perto e olhei nos olhos dele. Lindo, lindo, lindo, meu filho! O amor nasceu! E nasceu com aquele cheiro, aquele cheiro que eu desejei sentir pra sempre! Cheiro de cria é a muitooooo bom!!! Hahahahaha.. Nós 3 ali, juntos, como tantas noites, em tantas conversas na cama ou no sofá, eu e Fred sonhamos. Eu falava pras meninas: ele é lindo, é lindo! E agradeci.


No parto do João, nasceu também um sentimento em mim que eu nunca havia vivenciado naquela intensidade: a gratidão. Grata, muito grata eu me senti.. Grata a Deus, grata ao João, meu tão esperado filho, meu pequeno Ser de Luz, por me fazer viver uma gravidez e parto tão divinos! Grata às meninas, todas elas, por terem acreditado em mim, que eu ia conseguir.  Grata pela fé e pela ajuda na realização de um sonho da vida! Lia, Cris, Marília, Renata e Claudia, nossos anjos; sempre e pra sempre minha gratidão e admiração por cada uma!
João não chorou. Veio quietinho e quentinho pro meu colo. Falei muitas vezes que ele era lindo! Fred cortou o cordão quando ele parou de pulsar. Como a placenta resolveu dar um showzinho no final, a Cris levou o João pro quarto dele pra poder fazer os primeiros cuidados, na companhia do pai. Depois de umas doses de ocitocina, conversas com a placenta, concentração, rezas de um bando de mulheres, a lembrança da Santa Margarida que protege as paridas, a placenta saiu. Saiu com a promessa que seria plantada embaixo de um pé de limão siciliano no nosso jardim. Fiquei bem fraca depois disso. Mas estava em êxtase, totalmente! Tomei banho e voltei pra cama. Recebi meu filho de volta, já de roupinha e ainda com aqueeeeele cheiro viciante. Ele mamou, e eu comi: Pão de queijo, sanduíche de queijo e suco de uva! Hummmmmmm, delicioso!
E foi com a doçura da Lia, a calma da Cris, a força da Marília, a sabedoria da Claudia, a sensibilidade da Renata, o amor do Fred, a benção de Deus e a certeza de que TUDO daria certo que eu pari meu filho! João nasceu cercado de proteção, respeito e carinho! Bem ali, no nosso quarto, nosso ninho, nosso lar.



O limoeiro.

Relato da Paula Kranz do parto da Valentina

Esse relato é bem especial. Foi toda uma situação inusitada que se tem algo a nos ensinar é: nós não controlamos nada. Podemos fazer planos, mas nem sempre eles serão cumpridos, nem sempre as coisas serão exatamente como queremos e se entregar para o momento sem se importar com a quebra dos nossos próprios "protocolos" é fundamental! 

Toda programação e o desejo de ter uma bebê Londrinense foi em vão, Valentina chegou escolhendo tudo, e decidiu ser Curitibana.

• Sexta-feira, 23/11/2012
Foi a minha última consulta pré-natal em Curitiba, estava no segundo dia da 36ª semana de gestação.
Como já conhecia minha GO, imaginei que ela fosse me examinar com o exame do toque. Se ela não fizesse isso, eu mesma iria pedir. Pois, uma semana depois dessa consulta, iria para Londrina. E como iria viajar, queria mesmo ter certeza de como estavam às coisas.
Sai da consulta feliz da vida, com um sentimento lindo na altura do coração. Acabo de descobrir que já tenho 1 cm de dilatação.
Sai do consultório e fui pra casa da maneira que sempre fiz, com ou sem bebezinho. Uma leve caminhada de no mínimo uns 30 minutos. Próximo de casa, entrei em um supermercado para almoçar e após o almoço me senti tão cansada que por ali fiquei vendo o movimento da rua e pensando nessa dilatação por quase uma hora.
Ao chegar em casa fui correndo contar pra minha doula, que falou: “Venha para Londrina, ela vai nascer de 37 semanas!”
Mas eu não me sentia confortável com a ideia de ir para Londrina, uma semana antes do programado, e deixar meu esposo aqui sozinho preocupado. Então resolvi ficar até o dia 30/11, que era a data da viajem a Londrina.

• Sábado e Domingo, 24 e 25/11/2012
Fim de semana comum. Casa para arrumar, mercado para fazer, televisão para assistir.

• Segunda-feira, 26/11/2012
Acordei, fui para a acupuntura e ao sair de lá resolvi comprar uma máquina fotográfica aquática para fotografar a barriga na água durante a aula de natação. Voltei pra casa de ônibus e não a pé (milagrosamente), e toda feliz com meu barrigão. Eu já começava a sentir um peso ao andar, mas até então a única mudança na rotina foi o ônibus.
Cheguei em casa e fui direto arrumar meus materiais de desenho para levar a Londrina. Peguei uma caixa levemente pesada, senti uma pressão e pensei: “É, realmente ta na hora de começar a pegar mais leve. Então à tarde, não irei a pé para a yoga e natação, vou de ônibus”. (Nossa! como sou uma pessoa sensata)
Assim foi.
Na aula de yoga quase não consegui fazer as posições, realmente estava muito difícil. Eu jurava que era culpa do calor. Acabou a aula e fui correndo pra aula de natação, era minha última semana então queria aproveitar todos os minutos de piscina. Cheguei lá e já me avisaram que a água (ainda) estava suuuuper gelada, mas como estava com minha câmera fotográfica na mochila resolvi enfrentar a água fria. Não fiz aula, apenas fotografei a pança com a ajuda de um amigo (infelizmente nenhumas dessas fotos deram certo).
No final da aula, me despedi da professora de natação dizendo: Se eu não vier quarta-feira.... É porque nasceu!!!!
Cheguei em casa com o cansaço do dia, mas toda contente e exibida com meu barrigão. Adorava vestir o maiô e me olhar de perfil no reflexo do espelho.

• Terça-feira, 27/11/2012
03h20min da manhã: Acordo e vou ao banheiro com aquela imensa vontade de fazer xixi;
03h25min da manha: Deito na cama e sinto que saiu um “xixizinho” involuntário, e penso: “Não, é coisa da minha cabeça, não é nada!”. Resolvi me mexer mais uma vez para me certificar e saiu um monte de “xixi” involuntário. Na cama mesmo eu solto um: “Xiiiiiiiii!!!!”.
Meu esposo que estava acordado me pergunta o que aconteceu, eu disse que achava que minha bolsa havia rompido, mas que era melhor continuarmos dormindo, e que o tempo mínimo para iniciar o trabalho de parto era de aproximadamente 8 horas, e pela manhã resolveríamos o que fazer.
Então ele disse: “Vamos pelo menos ter certeza do que aconteceu”. E quando levantei da cama saiu mais líquido e no colchão já tinha uma mancha de molhado.
Ele foi correndo pra cozinha dizendo: “Vou fazer um café, não vou mais dormir mesmo”.
E eu resolvi ligar pra minha doula láááááá em Londrina, que me acalmou. Fiquei nervosa porque não tinha visto nada do parto em Curitiba, caso isso acontecesse.

(Toda vez que tentei falar sobre o parto com minha GO aqui em Curitiba, ela sempre dizia que estava cedo para conversar sobre isso. Então comecei a me envolver com o assunto e conforme o tempo ia passando fui sentido a vontade cada vez maior de que a bebê fosse Londrinense. Encontrei uma doula lá na terrinha que me identifiquei e marquei uma consulta com um GO de sua indicação.)

Então a Marília, minha doula, me orientou a tomar banho, a relaxar e olhar novamente a cor do líquido. Estava clarinho, com cheiro Q-boa...
Resolvemos ir para Londrina, já que teríamos esse tempo de 8 horas. Por volta das 4 horas da manhã estávamos prontos para pegar estrada. Liguei para minha doula avisando que estávamos de saída e ela sugeriu que eu entrasse em contato com minha obstetra que acompanhou o pré-natal para ver se ela gostaria de me examinar e analisar como estava à situação.
Ao atender ao telefone e contar a ela o que estava acontecendo, a primeira pergunta que a obstetra fez foi sobre a taxa de disponibilidade, pois não havíamos conversado a respeito, já que ela sempre desconversava e ao final da gestação já sabia que meu parto seria em Londrina.
Nesse momento olhei com cara de assustada para o Maurício porque não imaginava que ela iria tocar no assunto nesse momento e respondi a ela que meu parto seria particular, pois meu plano de saúde não cobra obstetrícia. Então, ela me orientou a voltar a dormir e ligar novamente por volta das 7 horas da manhã, para ela me orientar sobre como proceder com as contrações.
Desliguei o telefone e disse ao Maurício e a minha doula, que caso fosse necessário parir em Curitiba, não seria essa obstetra quem iria assistir meu parto. E os dois concordaram, claro! Quem seria louco de ir contra uma mulher em início de trabalho de parto?

05h00min Marília toda preocupada com a situação, começou a procurar doulas e parteiras para que pudessem nos ajudar. E assim, acordamos a Adelita, do grupo Parto do Luar, que trabalha com parto domiciliar. Expliquei por telefone toda a situação, e Adelita nos orientou a ir à maternidade Curitiba que fica próximo a nossa casa (já tínhamos falado sobre essa possibilidade, mas não fomos antes porque achamos que talvez, não iríamos conseguir sair da maternidade. E não queríamos mesmo dar brechas a cesárea) e também nos instruiu contando que eles não podiam fazer a internação contra a nossa vontade.

05h30min Chegamos à maternidade Curitiba e esperamos, esperamos, esperamos, para sermos atendidos. Nesse momento comecei a sentir leves contrações, mas tão leves que eu precisava prestar muita atenção para sentir, e o que me preocupava era a quantidade de líquido amniótico que perdia. Eu queria mesmo sair do hospital e pegar estrada pra Londrina, estava achando toda aquela espera perda de tempo na viagem.

06h10min Por volta desse horário finalmente fomos atendidos na maternidade. Veio uma enfermeira, me deu um jaleco para vestir e me perguntou se já era pra fazer a tricotomia. Eu olhei rindo pro Maurício e a cada riso o líquido amniótico escorria.
Enquanto isso, a enfermeira foi medindo minha pressão e me perguntou se eu tinha pressão alta. Eu não lembro o valor, mas a enfermeira falou um valor absurdo. E logo entrou a médica, escutou o coração da Valentina e faz o exame de toque, onde descobrimos que já estava com 6 cm de dilatação. A médica sugeriu a internação e então nós “fugimos” do hospital.

06h40min Chegamos em casa e avisamos a Marília dos 6 cm de dilatação e obviamente desistimos de ir a Londrina. Ela concordou e ficou online nos acompanhando via skype. Ligamos para informar a Adelita, e ela disse que chegaria em nossa casa perto das 8 horas. Eu resolvi deitar e descansar um pouco na cama, mas as leves contrações não deixavam. Então apenas fiquei deitada na cama conversando com o Maurício e ele contando as contrações.

07h30min Adelita nos liga avisando que já está a caminho de casa, lhe aviso sobre as contrações (que já estavam mais fortes) e vou para o chuveiro quente para relaxar. O Maurício ficou comigo conversando na porta do banheiro e a única coisa que lembro, é que pensei, “meu parto é igual aqueles que vi em fotografias, o pai na porta do banheiro acompanhando a parturiente”.


08h00min As contrações ficaram ainda mais fortes, porém bem suportáveis. Mas começo a sentir medo de não aguentar e pedir analgesia. Adelita que já está em nossa casa, faz novamente o exame de toque, eu já estava com 7 cm de dilatação, e me diz que as dores não iam ficar mais fortes do que já estavam. Conversamos com ela, e o Maurício e eu decidimos não fazer domiciliar de improviso. Retorno ao chuveiro, e ela continua conversando com meu esposo, e do chuveiro, percebi que ele ligou para minha obstetra de Curitiba.

09h00min Adelita se despede e me aconselha a comer algo, pois vou precisar de energia e ainda diz que logo não vou mais conseguir comer. Fico no sofá conversando com minha doula enquanto Maurício prepara um lanche pra mim, quando ele me entrega, eu já não consigo mais comer.

A partir de agora lembro de alguns flashes do que acontecia.
Estava entregue ao parto, entregue a partolândia.

Sinto uma grande necessidade de descanso e começo a buscar um “ninho” em casa.
Vou para o quarto, volto ao banheiro, levo cadeira da cozinha pra debaixo do chuveiro e volto pra sala. Marília me falava muitas coisas que me confortavam e que me fortaleciam naquele momento - ela que não fique brava comigo, mas não me lembro de nada. Lembro apenas do quanto foi importante ouvir sua voz.
Decido pegar todas as almofadas do sofá de casa, levo para o cômodo que estava com as cortinas fechadas e em penumbra. Encontro uma posição que meu corpo pode relaxar e se adaptar melhor as contrações. Marília conversa muito comigo via skype, e nessa conversa, transforma as mãos do Maurício em suas. Marília me massageia pelas mãos do Mauricio e tira a dor das contrações com as mãos dele.
Enquanto isso, o Maurício que está me massageando com uma das mãos, segura a tablet com a outra para que Marília possa me ver e os dois vão conversando sobre qual maternidade é melhor eu ir. Ele vai ligando para as maternidades e deixando o telefone no ombro e contando as contrações. (Primeira missão do pai polvo 100% completa).
Lembro que a Marília sempre comentava durante as contrações que a Valentina era forte, que estava feliz e que logo ela ia nascer

11h00min Comento com a Marília que já não me sentia mais a vontade entre as contrações e ao ouvir isso o Mauricio vai até meu quarto e pega uma roupa qualquer pra me vestir e me colocar no carro para irmos ao hospital. E na contagem dele, minhas contrações estavam bem ritmadas, a cada 3 minutos.

11h05min Chegamos ao hospital Santa Cruz, sou levada a uma sala de espera para fazer a triagem.
Enquanto espero, peço um copo de água ao Maurício. Ele vai buscar, mas não havia copinhos plásticos no bebedouro mais perto (oi? 1), então ele procura outro bebedouro e finalmente encontra. Finalmente me chamam e acontece um diálogo bem semelhante a este (isso eu lembro de verdade):
_Olá! Bom dia? O que está acontecendo?
_ Estou em trabalho de parto.
AAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH e o Maurício me massageando.
_Bolsa rota?
_Sim, rompeu por volta das 03h30min dessa madrugada.
_Então vamos escutar o coraçãozinho e fazer o toque.
_Escutar o coração tudo bem. Mas o toque eu não vou fazer.
_Mas como vou saber que você está em trabalho de parto?
_É só o Senhor contar as contrações.
AAAAAAAA (oralizando) e o Maurício me massageando.
_Mas isso não quer dizer nada!
_Ahhh... quer dizer sim!
_Então eu não posso te atender.
_Não tem problema, é só ligar para a minha Obstetra que já esta a caminho do hospital.
_Bom, então vamos fazer o toque e eu já passo as coordenadas até ela chegar.
_Eu posso até fazer o toque, mas só se for com ela.
AAAAAAAA e o Maurício me massageando.
Então o médico super grosso e mal educado me chama para ir até a maca e escutar o coraçãozinho da bebê.
_Pronto, pode se deitar com a cabeça pra lá.
_Eu não vou deitar, eu não consigo. As contrações estão muito fortes e doloridas se deitar não vou conseguir levantar.
_Mas então como vou conseguir ouvir o coraçãozinho?
_Comigo em pé! (eu sabia que dava mesmo se eu estivesse plantando bananeira)
_Não tem como!
_Então faremos assim, nem do meu jeito e nem do seu. Eu sento.
AAAAAAAA e o Maurício me massageando.
_Hunf! Tuuuudo beeem!

Estava tudo bem com os batimentos cardíacos da Valentina e voltamos a mesa do Dotô! para que ele pudesse preencher o meu prontuário. No meio das contrações e lendo o que escrevia de ponta cabeça, vi que ele escreveu que fui grossa, mal educada e intransigente. Vieram novas contrações e parei de ler o que ele escrevia.

11h15min Ao sair da sala uma enfermeira veio me buscar e me levou ao pronto-socorro e o Maurício foi dar entrada na minha internação. Chorei, gritei, implorei para que o deixassem comigo. Não teve jeito. Fiquei sozinha no pronto-socorro, na minha frente uma mulher fazendo inalação e ao lado um rapaz tomando soro na veia. E eu ali, sentadinha na cadeira de rodas o que foi uma luta. Porque queriam que eu deitasse na maca.

Ali sozinha, comecei a sentir uma forte pressão e levantei rápido da cadeira, usei a maca que estava lá como apoio. Olhei para os lados para tentar encontrar uma enfermeira e nada (oi? 2) Como assim?!?!? Em um dos maiores hospitais particulares de uma capital não fica um enfermeiro no pronto-socorro para auxílio!?!?!
Resolvi abaixar as calças, porque achei que a Valentina poderia nascer ali e mesmo sozinha eu tinha que estar pronta para o que pudesse acontecer. Quando levantei minha bolsa terminou de romper e literalmente lavei o chão do pronto-socorro, foi como se eu tivesse derrubado uma bacia cheia de água no chão.
Senti mais um puxo e a oralização não estava mais aliviando as dores. Resolvi gritar. Lembrei da minha doula dizendo quando eu estava saindo de casa, que se eu desejasse gritar era pra ficar a vontade e se me mandassem parar não era pra dar ouvidos. Bendita fala! Acho que se ela não tivesse me dito isso eu talvez não gritaria. Após o segundo ou terceiro grito ouvi uma pessoa passando e dizendo: “Meu Deus! esse hospital hoje vai ser um inferno!” dei risada por dentro e fiquei na minha. Mais um grito e apareceu uma enfermeira, perguntou se eu estava bem e eu disse que sim, que só estava em trabalho de parto. Pedi pelo meu esposo, mas ela não soube responder, então ficou comigo me massageando e respeitando meu momento. Pedi água a ela, ela deu uma olhada no corredor para não me deixar sozinha, mas não havia ninguém. Continuei a gritar e logo depois apareceram 3 ou 4 enfermeiras, minha visão estava bem turva (parecia que eu tinha bebido 5 litros de cachaça...rs), a enfermeira que estava comigo pediu água para essas que apareceram. Mas, elas alegaram que eu não podia beber devido à anestesia da cesárea (oi? 3). Finalmente o Maurício apareceu e continuou com as massagens, mas já me chamaram junto com uma maca para que eu fosse para a sala de parto. Mais uma vez brigamos que eu não iria deitar e fui de cadeira de rodas gritando por todo o hospital. Dentro do elevador senti um novo puxo e levei meu tórax para frente para alívio da dor e a enfermeira pediu que eu não fizesse aquilo porque o bebê poderia nascer no elevador (oi? 4).

11h45min Ao chegar à sala de parto, separaram o Maurício de mim novamente para que ele pudesse vestir a roupa do hospital e já me levaram para a sala. Fique muito feliz ao ver minha obstetra, com a crença de que ela fosse me respeitar naquele momento, e em um segundo todo esse sentimento de confiança foi por água abaixo. Ela falou que precisava fazer o toque, mas como eu não autorizei, ela ficou brava e falou: “Aqui a paciente é você e eu a médica. Algumas coisas você escolhe e outras eu!”. E exigiu que eu subisse na maca para realizar o toque, fiquei sem chão. Mas nesse momento o Maurício entra e vem um novo puxo e eu caio de joelhos no chão abraçada nele e a médica aproveita pra fazer o toque. E eu, no meio de um berro, olho pra ele com aquela cara de não deixa mais me fazerem isso!
Ao terminar a contração a médica me convida novamente para deitar na maca. Nesse momento eu não parava de ouvir a médica me chamando de amorzinho e a enfermeira de mãezinha (nossa! como isso foi horrível e marcante!).
Ela explica que se eu parisse deitada de lado era uma posição boa para que eu ver a bebê nascendo, cedi. Juro que tentei subir na maca, mas novamente minhas pernas não tinham mais forças para sustentar meu corpo. Pedi ajuda para subir, ela e o Maurício tentaram, mas veio outra contração e voltei de joelho para o chão. A enfermeira veio me chamando de mãezinha vamos tentar de novo no meio de um grito meu.
E o Maurício olhou pra médica e disse que realmente não iria ter jeito. A médica então pede a enfermeira aqueles panos esterilizados e forra o chão.
Sinto uma nova contração muito forte e no meio de um grito olho pro Maurício que está chorando e me diz: “Ela está nascendo.”
Eu nunca, em toda minha vida vi o Maurício com uma expressão tão linda no rosto. A lembrança da expressão dele em mistura com a da dor me causa uma sensação tão boa, uma vontade tão grande de querer voltar naquele minuto.

11h54min Mas uma nova contração chega, e eu sinto algo parecido a um sssploct... E apenas escuto a voz tensa da médica dizendo: “Ela esta com uma circular no pescoço”, mas eu não me preocupo com isso. Então me viro para ve-la e o Maurício que estava com ela no colo, me entrega. Como eu estava de costas para o que acontecia, o cordão umbilical encostou em minha perna, e até hoje tenho a lembrança da sensação dele encostando em mim. Pego a Valentina no colo pela primeira vez, cheia de vernix em seu corpinho, mexendo os bracinhos e as perninhas bem lisinha, com os olhos bem abertos me olhando. Nunca vou esquecer aquela carinha me olhando, com um leve sorriso no rostinho. Coloco-a em meu peito e o pai corta o cordão umbilical. Valentina se aconchega em meu peito e fica me olhando. Momento Mágico, que infelizmente durou pouco, pois as pessoas que estavam ali não queriam ter o mesmo tempo que nós. Então Valentina foi para as mãos da pediatra ao lado do pai e nesse momento deu seu primeiro choro.
Enquanto isso fui para a cadeira de parto e a médica retirou minha placenta que já estava descolada e só faltava “nascer”..rs..... e também fez os três pontos da laceração que tive.
A enfermeira veio pedir onde estava a roupinha da Valentina, pois ela iria ao berçário.
Dei risada, pois.... quem pensaria em roupinha de bebê?!?!?!?!?

Maurício me entregou a Tina e foi até o carro buscar as roupinhas, e a enfermeira veio pegar a Tina de mim. Disse a ela que a Tina iria sim até o berçário, mas somente acompanhada pelo pai, então até ele chegar com as roupinhas ela ficaria comigo. A enfermeira não gostou muito, mas eu também não liguei.
O que foi ótimo, porque se esqueceram de nós duas sozinhas na sala de parto. Ficamos juntas, pele a pele... Ofereci o seio, mas Valentina apenas queria saber de me olhar e sorrir. Ficamos nos namorando por um tempão, até que o sono venceu a Valentina e cantei pela primeira vez para minha bebê enquanto ela dormia.


13h40min Lembraram da nossa existência e foram nos buscar na sala de parto. Valentina foi com o pai chato, que não deixou aplicarem diversos procedimentos de rotina em nossa pequena, como o colírio nos olhos, banho com escova para retirar o vernix e outras coisas que nem sei mais.
Fui para o quarto e mais uma vez pedi água para a enfermeira que disse que logo iria trazer. Mas demorou tanto que minha companheira de quarto me deu a água dela. Meu almoço já estava frio no quarto esperando por mim. Almocei com as roupas do hospital todas sujas de sangue e depois de muito tempo o Maurício foi buscar uma enfermeira para me auxiliar com toda aquela parafernália. Tomei banho e logo depois fui buscar a Valentina no berçário. Ela ficou lá no máximo por 2 horas, nesse dia nasceram 37 bebês no hospital e só ela e outro bebê nasceram de parto normal.

Hoje, quase 8 meses depois do nascimento da minha filha, sempre penso o quanto um parto sem intervenções desnecessárias, onde o bebê, a mulher, e o homem estão em conecção é transformador na vida de uma família. Não é vontade minha lutar pela causa, mas parir me trouxe muito aprendizado. Tenho a certeza que experimentei a melhor das sensações, e isso sim faz com que eu me torne uma militante da causa, ajudando, orientando, repassando tudo o que aprendi no dia que a Valentina nasceu.


Mulheres informem-se, procurem grupos de apoio ao parto e a gestante, conheçam seus direitos. O maior direito que temos é sobre o nascimento dos nossos filhos, acredite nisso e não deixem que tomem isso de você e da história da sua família. Só dessa maneira a maternidade e a essência feminina serão plenas.