domingo, 26 de fevereiro de 2012

O parto como experiência de vida




Conseguir ter uma experiência positiva no parto depende mais de você que qualquer outra pessoa. Estando tudo bem com sua saúde o foco deve ser se preparar para o momento do parto o máximo que puder.
Se tiver medo, trate esse medo. Se não tolerar bem a dor, procure amenizar a dor. Procure apoio do seu parceiro, de uma doula. Não vá sozinha para esse momento!
O parto não é um evento somente fisiológico. Sim, devemos acreditar na nossa capacidade de parir, mas devemos saber que se a nossa mente, emoções e espírito não estiverem preparados o nosso corpo não vai acompanhar. Isso pode refletir em mais dor, cansaço e atrapalhar demais o seu parto.
Você merece ter uma experiência positiva! Se informe e se abra para esse momento!

Participe de grupos de gestante que apoiam o parto natural (aqui em Londrina temos o GestaLondrina), troque informações com outras gestantes e se puder contrate uma doula. Como quando viajamos para um lugar onde nunca estivemos nos preparamos e tentamos conhecer a absorver o máximo de informações sobre a viagem. O parto é um lugar desconhecido (lógico, para quem nunca passou por ele :)) e devemos nos informar para que essa viagem seja a mais prazerosa possível!

Procure um grupo na sua cidade: Parto do Princípio

BjoS!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Gravidez e a internet

Eu tava aqui de boa hoje no Facebook. Não que eu não tivesse mais o que fazer, aliás eu tenho! Mas me deparei com o pedido de uma Obstetriz (doula e enfermeira também, a mulher é ninja!) que eu admiro muito a Ana Cristina Duarte pedindo pra quem era gestante participar de uma pesquisa para um trabalho de conclusão de curso. O tema é "Caracterização das Gestante que buscam a Internet para esclarecer suas Dúvidas".
No pedido da Ana Cris eu li que a estudante era aqui de Londrina, fui conferir. Gostei muito do blog e já convidei ela para participar do Gesta :).
A pesquisa está neste blog: http://duvidassobregestacao.blogspot.com
Se você é gestante participe da pesquisa.
E leiam o blog! Tem muita informação interessante!

Até mais!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O início de tudo

De onde surgiu o desejo de ser doula?
Eu estive pensando nisso por esses dias. E como resolvi fazer este blog para falar somente sobre "coisas de doula" nada mais conveniente que começar a escrever sobre isso.

Foi no pós-parto do Gabriel que eu pensei que algo estava "errado". Apesar dele ter nascido com saúde e ser o bebê mais fofo do pedaço eu sentia que algo não estava bem resolvido em mim relacionado ao parto.
O que parece ser bobagem pra muitos, e o que muitas conseguem simplesmente passar por cima durante a vida, pra mim estava incomodando muito. O parto não tinha sido nada do que eu tinha idealizado. Foi um parto rápido, foi. Foi com um profissional extremamente qualificado que era carinhoso, atencioso e experiente? Foi! Mas o fato de eu não ter sido "forte" o suficiente pra ter negar uma raquianestesia no final do trabalho de parto, o fato de quase ter sido usado o fórceps... mexeu muito comigo. E só fui perceber isso meses depois com a ajuda de uma doula.
Antes do Gabriel nascer eu não sabia quase nada sobre Parto Humanizado. Eu sempre soube que existia parto na água, de cócoras. Mas nem sabia da existência das doulas por exemplo. Eu pensava que era simples como foi o do Mateus, que eu tive com analgesia e tal. Ela chegar lá, fazer 4 forças e o Biel ia nascer. Afinal o médico estaria lá, ia dar tudo certo. Pra ser bem sincera eu quase cogitei marcar uma cesárea. Mas como ele estava encaixado havia um tempo eu desisti da ideia. Pra quê ir contra a natureza se está tudo indo bem? Eu só sei que comecei a sentir contrações mais doloridas lá pelas 9 da manhã e as 11:50 ele nasceu.
Mas o que importa é que ele nasceu bem e com saúde, certo? Certo. Fala isso para os ataques de pânico que eu tive e pra minha depressão pós-parto. As intervenções que foram feitas (necessariamente após a anestesia) mas sem eu estar preparada para isso tiveram algum efeito em mim.

Quando nos mudamos pra Londrina eu conheci uma amiga (a Kaká) que me indicou o grupo de discussão por e-mail do GestaParaná. No grupo eu conheci a  doula e coordenadora Patrícia Merlin. Ela queria que o GestaLondrina tivesse reuniões mais frequentes e eu me ofereci para ajudar. Depois de algumas reuniões eu junto com a Thelma Malagutti (enfermeira obstetra) nós assumimos a coordenação aqui em Londrina. 
Nesse meio tempo eu fui me informar. Queria saber o motivo de tudo isso e queria também ajudar as mulheres que optaram por ter um parto natural. Num dos encontros do Gesta eu comentei com a Lorena (fisioterapeuta e doula) que eu queria ser doula. E brincamos que ela iria doular meu próximo parto e depois eu iria doular o dela. E foi nos encontros do Gesta, na busca de informações que o desejo de ser doula foi plantado, e regado...

Quando engravidei da Lais eu tinha certeza que o parto seria natural e ativo e que teria uma doula comigo. E foi assim. E foi a Lorena :). E foi nesse dia que resolvi que era isso que eu ia fazer da minha vida. Foi quase um chamado. E aqui estou eu. 

Meu desejo é que eu possa ajudar muitas mulheres na busca de um parto com amor e respeito. Um parto ativo onde ela é a protagonista.

BjoS!!!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Nasceu Cecília!


 O dia em que eu doulei minha doula

Vocês já leram o relado do parto da Lais? Se não, ele está aqui.
A Lorena eu conheci quando começamos o GestaLondrina. Ela dava aulas de Yoga onde realizávamos as reuniões. Lembro de ter pensado: puxa! Que pessoa legal! E a primeira impressão foi a que ficou.
Numa das reuniões nós falamos do desejo que tínhamos de um dia sermos doulas. E combinamos assim: eu ia engravidar e ela ia me doular (afinal ela é fisioterapeuta e professora de Yoga) e depois ela ia engravidar e eu ia doular ela. Nada de contrato assinado, mas muitas vezes o que a gente fala passa um anjo e diz amém (como dizia a minha vó).
E não é que um tempo depois eu tava grávida? Nem foi tanto tempo assim depois do nosso "combinado". Se eu fosse ter em casa eu chamaria a Patricia Merlin pra me atender. Ela tem experiência nisso, mas no fundo eu queria mesmo que a Lorena estivesse comigo, então na minha cabeça quem sabe eu chamasse as duas hehe. Quando a Lais começou a dar sinais que ia nascer antes, o parto domiciliar foi por água abaixo e eu tive mais certeza ainda que seria a Lorena a me doular.
E ela foi perfeita!  Eu ainda lembro que eu sabia exatamente quando era ela e quando era o Daniel que estavam fazendo massagem em mim, lembro dela falando comigo, me lembrando de respirar, de me entregar na hora das contrações.
Mas não sabíamos de um detalhe no dia em que a Lais nasceu (há exatos 8 meses). Lorena estava grávida de poucas semanas da Cecília :D!
Quando eu soube da gravidez fiquei aqui torcendo pra ela me chamar pra doular, porque eu realmente precisava retribuir o amor que ela me dedicou. Foi muito importante ter ela por perto!
A Cecília também quis apressar, mas a Lorena conseguiu deixar ela mais tempo na casinha, na terça feira dia 21/06 ela parou de tomar a medicação para inibir o parto e ficamos em estado de espera hehe.
No feriado do dia 23 eu fomos passear em Presidente Prudente, se qualquer coisa acontecesse com a Lorena e ela me ligasse, voltaríamos correndo. Dá mais ou menos uma hora e pouco daqui. Ela não me ligou, na volta eu tava vendo as fotos que tiramos no passeio e tinha uma da visita que fiz pra ela. Olhei pra carinha da Lo e pensei: Bem que a Cecilia poderia nascer já, né?
Voltamos pra casa, eu tava fazendo um cachorro quente e arrumando as coisas quando toca o telefone. Eu imediatamente pensei que fosse ela.
- Má, minha bolsa rompeu. Mas eu to tranquila. Vou ligar pro Dr. Alessandro e ver o que ele vai fazer.
- Ok, sem pressa. Qualquer coisa me liga.
Isso era mais ou menos umas 8 e meia da noite.
No próximo telefonema ela me falou que o médico (que aliás foi quem acompanhou o parto da Lais) iria internar mesmo por conta da bolsa rota, mas que ela só ia pro hospital depois que acabasse a novela.
Fui ajeitando as coisas, fiquei pronta pra sair, embora ela tenha me dito que não ia precisar de mim agora porque ela não estava ainda em trabalho de parto.
Todos aqui dormiram, e eu fui descansar também. Acordei la pelas 7 da manhã toda desesperada, pensando meldels já nasceu! Pensa na pessoa esbaforida sem conseguir nem abrir o olho ainda procurando o celular... pensou? Hehe, aí me deparo com uma mensagem dela as 4 da manhã pedindo pra eu ir pro hospital porque não tava fácil. Gelei. Esqueci de avisar que eu não acordo com toque de mensagem! Liguei pra ela e fui tranquilizada hehe. Na verdade foi o seguinte, ela internou e ia tomar uma dose de antibiótico. Ela não estava em trabalho de parto, somente com a bolsa rota. De 15 em 15 minutos entrava uma enfermeira no quarto pra perguntar "ta doendo muito mãe?" "já tá com dor?" sendo que nessa hora específica ela deveria DORMIR! Ela me queria lá pra ela poder descansar :D.
Sendo assim, dei um mamá pra Lais e fui pra lá. Ela estava super bem, fui mesmo pra ela sentir que eu estava presente, e pra reclamar com o médico desse tipo de atitude das enfermeiras. Não são todas que são assim, mas bastam uma ou duas pra tirar a paz. Quando conseguia ela dormia um pouco.

Conheci lá uma bisavó que foi visitar o bisnetinho recém nascido. As enfermeiras do dia já respeitavam muito mais! Foi um sossego.
As contrações estavam bem irregulares. O médico examinou e fez um toque, estava mais ou menos com uns 4 cm (ela havia internado com 1cm e pouco) e o colo estava trabalhando. Os exames que ela fez estavam todos bons. Tudo caminhando pra um parto natural como ela queria. Mas o trabalho de parto não tinha começdo ainda, estava bem na fase latente. Aproveitei pra passar em casa pra almoçar dar almoça pras crianças, amamentar a Lais e descansar um pouco. Quando foi umas 4 e meia eu liguei pra saber se estava tudo bem e o marido dela falou que sim, mas que alguma coisa estava diferente. Amamentei a Lais de novo e fui para o hospital.
Chegando lá vi o Juliano do lado de fora do quarto, ele me falou que a Lorena queria ficar um pouco sozinha. Entrei no quarto devagar e estava tudo na penumbra, ela fazendo exercícios na bola e dançando. Uma coisa que eu achei intenressante é que a Lorena de costas nem parecia grávida hehe! E assim ela ficou, bola, chão, cama. 

De vez em quando ela cochilava um pouco. O Dr. Alessandro fez mais um toque e estava com 5 pra 6 de dilatação. Senti que pra Lorena foi meio frustrante, mas o que me acalmava foi que eu chegueii exatamente assim no hospital, com contrações super suportáveis e com 5 pra 6 de dilatação e em poucas horas a Lais nasceu. Mas como cada parto e cada mulher é diferente eu focava em dizer pra Lorena não criar expectativas, que ela dilatou em menos de um dia o que eu havia demorado uns 2 dias para dilatar e que era pra ela descansar. Fiz massagem nos pés, conversei com ela bastante tentando deixar o humor dela bom. Aliás, ela não perdeu o bom humor :D.

Nessa fase ela precisava ficar sozinha, então eu e o Juliano agíamos como se não estivéssemos ali, eu só me manifestava quando alguma enfermeira ia no quarto. Geralmente elas vem falando direto com a parturiente, e isso não é legal. Mas depois elas sempre se dirigiam a mim ou ao Juliano. O que mais "matava" era a mulher da copa. Jesusmariajosé todos os santos! Ela entrava sem pedir licença, sem bater a porta. E ia falando alto, acendendo luz... pff.
Nessa hora eu pensei, nossa, acho que a Lo nem vai precisar tanto de mim, ela quer mais ficar sozinha mesmo. Ledo engano! As contrações começaram a ficar mais efetivas, logo que o Dr. saiu do hospital (pra variar...). E eu percebia um ritmo. Comecei a anotar no laptop cada horário de cada contração. Elas vinham de 3 em 3 minutos, as vezes de 2 em 2 e entre umas 5 dessas  muitas vezes tinha um intervalo de 4 minutos. Pensei comigo... ela vai nascer no dia de S. João, não vai ser S. Guilherme. Eu e o Juliano revezávamos nas massagens, ele foi buscar um lanche pra gente. 

Quando ele voltou com o lanche a Lorena pediu Coca, ela tava com fome! Hehe! A gente deu ué, tava liberada dieta líquida! Ela não conseguiu comer a sopa da janta, mas comeu a gelatina. Foi dada mais uma dose de antibiótico por causa da bolsa rota.

Ela pediu pra ir pro chuveiro, e foi. Eu liguei pro Daniel pra ele me trazer a Lais pra eu amamentar naquela hora (eram umas 8 e meia) porque depois provavelmente eu não poderia mais sair do quarto. Ele demorou um pouco ainda pra vir, e eu fiquei lá no chuveiro com a Lorena.
Nessa hora ela me olhou:
- Má, essa mulherada é tudo louca! (E dava risada!)
- É, eu sei. Pensei a mesma coisa no parto da Lais :D. Inclusive eu tinha um plano Lo. Eu ia chegar em uma reunião do Gesta e falar: Olha gente, bobagem essa coisa de parto natural! Esqueçam! Vão lá e marquem cesarea! Dói muito gente! Esse era o meu plano.
- Sério Má???
- Seríssimo!!! É normal você pensar assim viu? Nem se sinta mal por isso!
E rimos muito nessa hora!
O Daniel estava lá na porta do hospital com a pituquinha. Falei pra Lorena que ia descer e logo voltava, desci correndo, antes avisei as enfermeiras que eu ia voltar caso o segurança invocasse de não me deixar subir.
Pausa para momento coruja
As enfermeiras do hospital me conhecem porque eu fiquei um tempo internada inibindo o parto e depois por eu ter tido a Lais no quarto. Todas querem ver foto da pituquinha! KKK
Despausa para momento coruja
Desci, a Lais no bebê conforto, nem tirei ela de lá, ja tirei os peitos pra fora e ela mamou os dois em tempo recorde! 10 minutos! No total fiquei uns 20 minutos lá embaixo no máximo. Dei tchau pra Lais fofa, um beijinho no marido e subi correndo!
O bicho tava pegando. As contrações aumentaram muito! E com intervalos cada vez menores. Lembro de ter falado que se continuasse assim ligariamos para o médico. De repente a Lorena fala:
- Má do céu, to na transição, to me tremendo toda!!!
E era verdade, Cecília estava chegando gente, e a mãe dela totalmente consciente disso! Foi lindo! Nessa hora eu só afagava a Lorena, não parecia que ela era minha amiga, o sentimento que eu tive foi que eu era mãe dela, sei lá. Muito doido isso!
E começaram os puxos, e eu pedi pro Juliano ligar pro Dr. Alessandro. Ele falou comigo que estava vindo e ia pedir um cardiotoco enquanto isso. Eu lembro de rir e pensar, não vai dar tempo!
Me deu um click na hora, pedi pra Lorena subir na cama e ficar em 4 apoios (porque isso faz com que a descida do bebê desacelere um pouco) e pedi pra ela pra eu tirar a calcinha e ver como estava. Estava quase coroando :D!
Chamei a enfermeira porque eu não tenho experiência em aparar bebês hehe. Falei pra ela ficar ali comigo de prontidão até o Dr. chegar. Eu estava muito emocionada, e quando fico um pouco nervosa tenho a (péssima) tendência de rir. E eu ri não sei do que a Lorena disse, e ela respondeu: Não é graça Má... mas todo mundo achou graça, viu Lorena??? Ae eu fiquei bem séria e falei, é mesmo, não tem graça! :D
Pedi pro Juliano ligar de novo pro Dr. Alessandro, avisando que realmente a bebê estava nascendo. Mesmo assim as enfermeiras vieram com o cardiotoco pra fazer kkkk! Eu nem acredito nisso quando eu lembro. É mais ou menos assim, se o médico mandou elas fazem, mesmo se o paciente morrer eu acho, elas vão lá e fazem! Mas aí ele chegou e ficou tudo mais tranquilo. Mudamos a Lorena de posição pra ele ver como estava tudo e ela gostou da posição que ela ficou (semi sentada, ela não quis cócoras). E ficamos esperando a Cecília nascer! Ja tinha bercinho no quarto, a pediatra já estava de prontidão.
Nessa hora a Lorena pediu um copo com água, ela estava bem serena, tranquila mesmo. Perguntava o que era para fazer e fazia, foi perfeita! Como ela havia me pedido para filmar e fotografar tudo o que eu pudesse eu fiz isso, mas estava com 2 câmeras ao mesmo tempo, foi tenso haha! A câmera deles era melhor para filmar na penumbra e a minha para fotografar (já que eu não queria dar um flash na baby, de jeito nenhum!).
E ficamos ali esperando a natureza agir trazendo a Cecília ao mundo, quando ela coroou eu lembrei a Lorena de pegar na cabecinha dela pra sentir, era bem cabeludinha! Brincamos que dava até pra fazer uma maria chiquinha e puxar ela pra fora hehe, a Lorena respondeu: ah, bem que poderia ser assim! KKK!
E veio a Cecília! E todos se emocionaram e eu lá tentando filmar a fotografar ao mesmo tempo!!! Foi lindo, mágico!
Foi esperado o cordão parar de pulsar e o pai cortou. Como a pediatra tinha que atender um outro paciente quase na mesma hora ela foi fazer os cuidados iniciais na Cecília. Mas tudo ali no quarto. Como ela estava muito bem, só era bem calminha rs, ela liberou a bebê pra ficar com a mãe.
Ela nasceu dia 24/06/2011 23:12 com 3kg e 48 cm!
Linda fofa e cabeluda!!!

A placenta saiu a gente viu (ainda acho que a minha era muito pequena gente...) tava tudo ok, a Lorena levou alguns pontinhos.
E mais uma vez fui privilegiada de acompanhar o parto de uma pessoa muito especial, ainda mais sendo a pessoa que me ajudou muito na busca e na hora do meu parto!
Pra Lorena, Cecília e Lais tenho uma frase:
"Amor da minha vida, daqui até a eternidade, nossos destinos foram traçados na maternidade." Hehe!!!
Obrigada Lorena por ter escolhido a minha presença, obrigada Juliano por ter sido um marido/pai excelente, obrigada Pata por me dar força pra seguir mais esse sonho de ser doula, obrigada à todas as meninas do Gesta, obrigada às enfermeiras do Hospital Evangélico de Londrina que depois que entenderam o que estava acontecendo agiram de maneira respeitosa, obrigada Dr. Alessandro Galletto por ter me permitido participar desse momento e ter permitido um parto ativo. Obrigada Cecília! Seu coraçãozinho sempre ótimo durante as contrações, sua tranquilidade depois de ter nascido, obrigada bebezinha linda por existir! Bem vinda!
BjoS!!!

terça-feira, 10 de maio de 2011

Nasceu Davi! E nasceu uma doula!


Minha primeira experiência como doula

Eu tive a oportunidade e o prazer de acompanhar o parto de uma pessoa muito especial como doula. Me preparei para isso e imagino que minhas experiências com meus partos ajudaram também. Eu não fiz curso (ainda) mas vou fazer! Quando fui doulada no meu último parto é que percebi a importância de ter uma doula (que pode ser uma pessoa que você preparou para isso) junto comigo. Faz toda a diferença!
Quando a Paula me falou que queria eu eu acompanhasse o parto dela porque a nossa doula iria viajar e talvez não conseguisse chegar a tempo para o parto, confesso que fiquei um pouco insegura. Por mais que eu tenha estudado muito sobre parto, parto ativo, tenha um conhecimento razoável em anatomia e fisiologia por ser técnica em radiologia, eu nunca havia doulado ninguém antes. Aceitei o "desafio". Ela já estava no final da gestação, fomos nos falando e combinando o que ela queria para o parto dela. Era um VBAC, parto normal depois de uma cesárea que ela planejava. Esse é um dos papéis da doula, ajudar a mulher a construir e idealizar o que ela quer para o momento do parto.
A Lorena (que foi minha doula e seria a da Paula) antes de viajar passou aqui em casa para deixar a bola e o tapetinho. Conversamos bastante sobre o que a Paula queria, sobre o médico que iria acompanhar, sobre as expectativas da Paula e das nossas (rs... doula tem expectativa, e na maioria das vezes é que tudo acabe com um lindo parto natural hehe!) e ela foi viajar, curtir suas merecidas férias :).
No dia 03 de maio a Paula me ligou dizendo que estava com contrações de 3 em 3 minutos e um pouco doloridas. Como ela mora longe do hospital e o combinado foi nos encontrarmos lá resolvemos que o mais prudente seria ela ir para o hospital.
Arrumei tudo aqui, deixei um leitinho para a Lais, peguei um taxi e fui para o hospital. Detalhe: com a bola e o tapetinho hehe. Quando o taxi chegou ele achou estranho a bola e tal. Expliquei o que estava fazendo no caminho e quando ele ouviu a palavra PARTO foi rápido que nem uma flecha! Cheguei na recepção do Hospital Araucária e as recepcionistas já arregalaram o olho quando viram a bola, eu ja fui explicando que era doula da Paula que estava internada já e elas me mandaram subir.
Cheguei lá a Paula na maior tranquilidade, realmente era um TP latente, nada ativo. Ela estava com 3cm de dilatação. Pegou a bola e começou a fazer alguns exercícios (ela é fisioterapeuta) para ajudar a dilatar e o bebê descer. Esse momento foi muito gostoso, ela estava bem falante ainda e batia um sol maravilhoso no quarto. Pedimos uma salada de frutas para ela que veio com mel, ela nem tinha tomado café da manhã. A ideia inicial era ela ter o bebê ali no quarto mesmo. O marido estava tranquilo e ela também, o tempo foi passando a dilatação aumentou um pouquinho só e eu achei melhor aproveitar que a coisa estava tranquila e dar uma passada em casa pra ajeitar algumas coisas e almoçar. Mas na verdade o que eu queria era dei xar os dois sozinhos, a mulher quando fica sozinha fica mais introspectiva e isso ajuda a engrenar o trabalho de parto. A Paula foi para o chuveiro com tapetinho e bola para relaxar e fazer exercícios.
Vim pra casa com uma enxaqueca lascinante! Quando cheguei todos estavam dormindo ainda, aproveitei e tomei um remédio e cochilei um pouco. Acordei com o telefonema do marido da Paula me chamando para voltar que agora sim o parto tinha engrenado. E minha dor de cabeça tinha ido embora! :D
maio 025
Chegando lá fui tomada por um sentimento lindo de amor. Os dois ali abraçados passando pela contração juntos, dava pra sentir, quase pegar o amor que eles estavam transmitindo. Fui ajudando com posições, massagens, encorajando a Paula.
A dilatação do último toque estava em 6cm e as contrações bem fortes e intensas. Ela não conseguia mudar de posição, o marido e ela haviam combinado que se as coisas ficassem muito tensas eles pediriam analgesia. E assim foi.
O médico me permitiu entrar no centro cirúrgico para acompanhar o parto. Depois da analgesia ela ficou bem calma e voltou a ser falante hehe.
O parto foi evoluindo mas a analgesia foi perdendo o efeito. Ela pediu para aplicar mais, foi aplicado e coincidentemente ou não (os médicos juram que não, mas eu acho que sim) as contrações pararam e o Davi precisou do auxílio do fórceps para nascer. Mas foi bem tranquilo!
Como foi emocionante ver ele nascendo, eu chorei e quando fui me desculpar por estar chorando percebi que todos estavam com os zóim brilhando haha! Pedi para o pediatra colocar o Davi em cima da Paula para eles se conhecerem finalmente (mesmo com analgesia ficamos um pouco presas na maca, eu sei porque tive 2 partos com anestesia) e foi mais emocionante ainda!
Foram quase 11 horas de trabalho de parto no total, umas 5 ou 6 horas de trabalho de parto ativo.
davipaula
Davi nasceu de um VBAC hospitalar no dia 03/05/2011 às 17:34 com 3,500kg e 49cm.
Quando o Davi nasceu não nasceu só uma mãe, nasceu uma doula!
Davi-1278-HA- 037
Foi gratificante acompanhar a Paula!
"Ah Marilia, mas nem foi parto natural, nem foi parto de cócoras no meio do mato que nem índio!"
A Paula conseguiu ter um parto normal, hospitalar com um médico que raramente acompanha um parto normal, e depois de ter a primeira filha de uma cesárea. Pra ela, para o marido e para mim foi uma grande vitória! Acredito que a experiência que ela teve com o parto (que antes ela não tinha experimentado) possa ajudar ela no futuro, embora ela fale que não quer mais filhos no futuro... sei... :P
Depois de algumas semanas que deveriam ter sido só alguns dias, fiz laqueadura e fiquei de molho em casa, fui visitar a Paula para uma consulta pós parto. Davi é muito lindo mesmo! Está cada dia maior e mais esperto e matando a mãe, o pai, a irmã e a doula de orgulho!
maio 269maio 272
Se você está pensando em ter um parto normal se prepare antes, peça ajuda para uma doula, não é tão caro como parece e faz toda a diferença! Algumas parcelam o pagamento em várias vezes. E se for o caso peça para alguma amiga ou parente ser sua doula, mas se preparem busquem os grupos da Parto do Princípio, informações na internet e livros.
Até mais!

sábado, 1 de janeiro de 2011

Marilia Mercer

Parto de Cócoras - Revista Pais e Filhos
de mil novecentos e bolinha.
Minha história com o parto e coisas afins começou lá na minha infância. Minha mãe fez um trabalho sobre o desenvolvimento do bebê e o parto. Ela juntou numa pasta vermelha fascículos da Revista Pais e Filhos que mostravam o desenvolvimento do bebê mês a mês desde a concepção. Nas últimas páginas tinham os tipos de partos e eu ficava horas olhando aquelas imagens. Dias atrás em um encontro sobre a humanização do parto uma destas imagens apareceu na tela e chegou a me arrepiar. Me fez lembrar o quanto eu já estava envolvida neste universo e nem me dava conta disso. Eu ficava maravilhada com o bebê saindo e a água saindo junto. Achava tudo muito natural e bonito. 

Parto do Mateus
Eu nasci de parto normal, todos os meus irmãos também nasceram. Assim como todos os meus tios das duas famílias, materna e paterna. Eu nunca pensei em escolher para mim outra opção. A não ser que fosse necessário. Quando engravidei do meu primeiro filho mesmo sendo bem jovem optei pelo parto normal. Eu lembrava que existia parto de cócoras e pensava que teria acesso a ele no momento do parto. Mas como bem sabemos, as coisas não são bem assim. Mateus nasceu de parto normal com ocitocina e analgesia e eu deitada numa mesa de parto. Ficou comigo desde a hora que saímos da sala de parto.  Não foi nada traumático e se me perguntassem se eu ia ter outros filhos eu respondia: Com certeza que sim!
Quando meu filho estava maior fiz o curso Técnico em Radiologia na Escola Técnica da Universidade Federal do Paraná. Durante o curso conheci a Prof. Guiomar Martins. Ela nos ensinou muito sobre Humanização da Saúde. Estudar sobre a humanização me permitiu tratar os pacientes de uma forma melhor nos serviços onde eu trabalhava. Seja radiografando uma pessoa inconsciente na U.T.I. ou fazendo uma mamografia, eu sempre prezei por um tratamento humanizado. 

Mateus eu e o Biel já tomado banho.
Nosso primeiro contato foi depois
de 4 horas do nascimento :(.
O tempo passou e resolvemos ter outro filho. A gestação foi muito tranquila, mas eu não busquei saber nada sobre parto humanizado. Pensava que como o primeiro parto tinha sido ótimo o segundo também seria. Apesar de ter sido muito rápido, como o primeiro, no final do trabalho de parto eu tive algumas angústias. Eu já estava com 10cm de dilatação e me ofereceram uma anestesia ráqui. Eu aceitei. Depois disso eu não conseguia mais fazer força direito porque eu não sentia que estava respirando. O bebê demorou a sair e quase foi usado fórceps. Ele nasceu bem, mas o fato de eu me sentir incapaz, o medo de morrer ou de perder ele e ter ficado mais de 4 horas sem ver ou pegar o meu bebê, estes "pequenos detalhes", desencadearam  uma leve depressão pós-parto e alguns ataques de pânico. Quando me perguntaram quando eu teria outro filho eu respondi: NUNCA MAIS!

Buscando fortalecer o vínculo com o Gabriel por causa de toda a minha situação emocional eu comecei a carregar ele no sling. Vim para Londrina onde eu era constantemente parada na rua para saber onde eu tinha comprado o "pano" que segurava o bebê. Comecei a fabricar os slings para atender a demanda. E numa dessas buscas por artigos sobre o sling eu acabei encontrando respostas para o que tinha acontecido comigo. Se eu tivesse a oportunidade de parir o Gabriel mais ativamente eu não teria sofrido. Só o fato de mudar a posição na hora dele sair já teria melhorado muito o quadro. 
E foi assim que eu comecei a pesquisar cada vez mais sobre o assunto. Um belo dia encontrei a Patricia Bortolott,o que é doula, e numa conversa super descontraída ela me questionou alguns procedimentos realizados nos meus partos. Eu ficava pensando: O que mais que ela quer? Já não foi parto normal? Foi aí que entendi que não basta que o bebê e a mãe estejam bem no final das contas. Importa que o nascimento seja com respeito e que o parto seja uma experiência prazerosa! 

Eu e a Thelminha no GestaLondrina
Depois que esta ficha caiu eu comecei a lutar para que outras mulheres não passem pelo que eu passei. Isso foi possível graças ao Gesta. Grupo criado pela doula Patricia Merlin de Maringá. Ela precisava de alguém para organizar o grupo aqui em Londrina e eu me dispus a isso junto com a Thelma que é Enf. Obstétrica. Foi no Gesta que eu descobri a minha vontade e vocação para ser doula. E foi no Gesta também que o desejo por um terceiro filho aumentou :). Conheci a Lorena Mussi (fisioterapeuta e doula) e combinamos que primeiro eu engravidaria e ela seria minha doula e depois eu retribuiria. 

Parto da Lais 
O combinado deu certo! Engravidei pela terceira vez e desta vez estava totalmente preparada e ciente de como eu queria que fosse eu meu parto. A Lorena me doulou e foi maravilhoso! Lais nasceu um pouco antes, com 36 semanas mas nasceu muito bem! O parto foi uma experiência incrível!!! Assim que a Laís foi levada para ser examinada (por ser prematura) eu olhei para a Lorena e falei: Eu poderia ter uns 10 filhos desse jeito! Foi tudo da maneira que eu queria. Meu marido sempre comigo e não somente na hora que o bebê estava saindo, o meu médico obstetra Dr. Alessandro Galletto que respeitou todos os meus desejos mesmo a Lais sendo prematura e a Lorena perfeita como doula. Foi realmente lindo e prazeroso o parto dos meus sonhos. 
Eu doulando a Lorena

Ninguém sabia, mas a Lorena já estava grávida quando me doulou. 8 meses depois eu tive a honra de acompanhar o parto da Cecília como doula. Uma experiência incrível!
Eu comecei pelo lado "avesso". Acompanhei alguns partos antes de me formar. Agora em 2012 que fiz um curso de formação de doulas. Para mim foi muito importante ter a teoria para dar mais base à minha prática.




Tenho a consciência que não basta somente o meu serviço como doula para mudar a forma como muitos bebês nascem. O meu sonho é que aqui em Londrina o atendimento do SUS seja tão ou mais humanizado que o atendimento particular ou por convênio. E para isso eu tenho lutado junto com algumas mulheres maravilhosas como a Marisse Queiroz e a Ana Carolina Franzon. Temos levado nossas propostas para a esfera política através da Secretaria da Mulher e da Secretaria de Saúde de Londrina. 

"Para mudar o mundo primeiro é preciso mudar a forma de nascer." (Michel Odent)



Eu não tenho a pretensão de mudar todo o mundo, mas quero muito mudar o mundo ao meu redor.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Relato do Parto da Lais


O Sonho
Tive um sonho no começo do ano de 2010. Nele eu estava parindo num hospital e quando vieram me mostrar o bebê eu perguntei antes para o Daniel (meu marido) o que era? E ele falou que era uma menina! Eu não acreditei, abri o pano que ela veio enrolada e vi que era mesmo! Acordei dando risada, eu sempre imaginei que teríamos um terceiro filho, mas jamais que seria menina!
O negativo
Durante o carnaval tivemos a notícia que uma amiga nossa estava grávida. Eu comecei a sentir uns sintomas estranhos e a menstruação tava uns dias atrasada. Resolvi fazer um teste de farmácia que deu negativo. O motivo de eu desconfiar é que estava esquecendo  muito de tomar a pílula e o Biel estava meio que desmamando. Com isso eu sabia que mesmo tomando o remédio a chance de engravidar era mínima, mas existia. No outro dia pela manhã a mesntruação desceu. Era dia 17 de fevereiro.
O Positivo
Dia 04 de abril nós fomos na Expo Londrina, uma feira que tem aqui em Londrina todo ano. Eu ainda não sabia que estava grávida. Andamos, comemos um monte e na volta passamos no mercado. Eu não passei muito bem o dia todo e o marido só de rabo de olho pra mim. No mercado passamos pelo corredor que fica perto dos peixes e me deu uma ânsia terrível! Voltamos pra casa eu continuei meio “mareada” e o Daniel foi buscar outro exame de farmácia. Enquanto ele via o clipe do Tim Maia no You Tube eu vinha com o resultado na mão. Positivo. Ao fundo tocava “ A semana inteira, fiquei esperando, pra te ver sorrindo, pra te ver cantando…”. Eu fiquei muito feliz, ele mais assustado, o combinado era parar com a pílula em dezembro, mas em dezembro nosso bebê ja estaria por aqui. Com 13 semanas descobrimos o que o sonho já tinha dito, que era a Lais que estava vindo!
A gravidez, um susto.
Tudo tranquilo, com 20 semanas tive um susto, comecei a sentir contrações doloridas e num curto intervalo de tempo. Mas estava tudo bem, diminuí o ritmo e tudo voltou ao normal. Todos os exames ok. Lais até sorriu na fotinho 3D que o médico fez dela, enquanto isso eu ia elaborando mentalmente como seria o parto.
Planejando o parto.
A princípio a Patricia Merlin iria me doular, pensamos em um Parto Domiciliar, mas o tempo foi passando e sem ter uma equipe aqui em Londrina pra isso eu não estava mais confortável com a ideia. E apesar de estar tudo bem com a gestação e com a Lais eu sentia que o meu parto seria hospitalar, podem falar o que for, mas eu sentia isso sim. Então eu não estava criando mais muitas expectativas para um Parto Domiciliar. Se desse tinha dado e pronto. Se não eu não ia me estressar e iria pro hospital com alegria no coração hehe. Até porque confiança no meu GO eu tenho (agora mais ainda) de que ele iria me respeitar nos meus desejos de como eu queria que fosse o parto.
Como os partos anteriores foram bem rápidos e a Patricia mora em Maringá (cerca de uma horinha daqui) combinamos que a Lorena iria me acompanhar se a coisa ficasse meio The Flash. Lorena não é doula de formação, ela é fisioterapeuta e especialista em Yoga para Gestantes, e no curso de Yoga uma das coisas que se estuda é a doulagem, obviamente de um maneira menos profunda que em um curso de doula, mas eu sabia que ela estava preparada. Durante a gravidez eu li o livro Parto Ativo (foi a Lorena que me emprestou) e recomendo a todas que querem parir que leiam. Me ajudou muito!
O outro susto.
Com 34 semanas e 5 dias (mais ou menos) eu comprei as últimas coisas que faltavam pra Lais nascer. A menina é tão querida e abençoada (e nossos amigos tão amorosos) que nem era tanta coisa assim. Depois fomos ao mercado. Um dia antes comecei a sentir um desconforto lá dentro da… perereca (não tem como explicar de outro jeito) como se estivessem arranhando, e no mercado isso começou a aparecer novamente, mas de um jeito tão forte que eu tinha que parar de andar. Ligamos pro Dr. Alessandro que pediu pra me avaliar. Quando ele fez o toque, fez uma cara que pensei “ih, ferrô, tô dilatando”. E era bem isso, uns 3 cm e colo um pouco trabalhado, eu tinha um caminho: internar pra inibir.
Fiquei internada quase uma semana, e sinceramente foi bom para conhecer a equipe do hospital, ficar amiga das enfermeiras, conhecer o procedimento padrão deles, e de quebra ainda acompanhei o nascimento da Helena, filha da minha amiga Dani. Se estivesse em casa não conseguiria fazer repouso total. A Lais ainda não estava madura para estrear nesse mundão e quanto mais conseguíssemos manter ela dentro da barriga melhor seria!
Daniel se virou com os meninos, os três me encheram de orgulho cuidando da casa e deles mesmos.
Tem internet no hospital e isso foi ótimo pra eu não me sentir sozinha, já que o marido não poderia ficar comigo o tempo todo. Usei o MSN pra falar com o Biel na cam, até coraçãozinho com as mãos ele fazia hahaha!
Tive alta sábado dia 23/10 e viemos pra casa pra continuar a inibição com comprimidos. Os meninos continuaram me ajudando e consegui me manter em repouso. Mas na madrugada do dia 24 pra 25 o Biel passou mal com vômitos e o Daniel levou ele pro PS, eu estava com o intestino meio estranho, pensei que era por causa do antibiótico. No dia 25 Mateus passou mal a tarde e também ficou no PS a noite, e enquanto eles estavam lá (a essa altura Biel tava com diarreia também) eu passei mal e vomitei. Toda força que eu não fiz durante os dias de repouso vou “ti contá” que fiz naquela vomitada. Liguei pro Dr Alessandro que me passou o remédio pra eu tomar pra diarreia (intestino estranho é o caramba, eu tava com virose!). Mateus voltou (branco da cor da parede de casa) do PS e fomos todos dormir. Marido ensaiava a virose também, mas começou a tomar o que eu tava tomando e eu acho que deu uma “segurada” hehe.
O Parto
Na madruga de 25 pra 26 eu senti algumas contrações, comecei a contar o tempo, não tinham ritmo e nem eram doloridas, desencanei e voltei a dormir. 9 da manhã eu senti outra vez. Ai comecei a contar, estavam de 5 em 5 minutos e bem fortinhas, durando bastante tempo cada uma. Cutuquei o marido e falei das contrações e ele imediatamente levantou rapidão e já começou a se vestir. Liguei pro GO que estava atendendo outra paciente, falei com a recepcionista (Tati, valeu! :D ) que me pediu pra ir para o hospital que ele estava por lá mesmo. E lá fomos nós, antes de sair avisei a Lorena e ela também estava indo pra lá. Avisamos a Jana para vir aqui em casa pegar os meninos e fomos pro hospital.
10:15 Dei entrada pelo PS . Me levaram de cadeira de rodas pra maternidade, a princípio eu não queria isso, mas eu tava tão cansada, não tinha dormido bem, me sentindo meio fraca mesmo e não neguei a cadeira haha!
Chegando lá na ala da maternidade as enfermeiras todas sorrindo (ainda hehe) pra mim, perguntando se agora era a hora mesmo, eu tava tranquila entre uma contração e outra eu ia respondendo e conversando com elas enquanto o médico não chegava. Colocaram soro (SÓ SORO sem ocitocina nem nada) por causa da virose. No cardiotoco tudo ok, realmente as contrações estavam bem fortes e próximas uma da outra. Dr Alessandro chegou e fez o toque, 5 cm de dilatação e colo totalmente apagado, Lais tava vindo com tudo! Isso que as 10 da manhã eu tomei a Inibina. Como eu já disse antes o meu médico (Dr Alessandro Galletto, ou o também conhecido aqui no relato como GO :P ) estava acompanhando outra paciente (e não sei não se não eram mais duas, não lembro mesmo) então como eu tinha tomado o remédio as 10 lá pelas 3 da tarde era pra Lais chegar. Isso nas contas de qualquer mulher comum, não nas minhas. Eu sabia que ela tava vindo e era pra já. Mas né… eu queria era curtir o parto.

Curtindo o parto rs...
Vinha a contração eu respirava fundo controlava pra não lutar contra ela e ela ia embora. E assim foi. Fiquei ali na salinha de exames até me levarem pro quarto onde fiquei sozinha por causa da virose (bendita virose, me permitiu ficar no quarto sozinha mesmo tendo plano enfermaria). Antes ainda conversei com a Ângela, uma companheira de internação que também estava inibindo, ela era paciente do meu GO e tinha parido um dois dias antes de mim, uma fofa ela, foi me desejar boa sorte e me contar como foi o parto dela.
Assim que eu entrei no quarto a Lorena chegou com a bola, fiquei ali um tempo (a partir daqui eu não tive mais noção de tempo mesmo, as coisas simplesmente aconteciam) sentada, rebolando, respirando e… comecei a sentir o cheiro da comida do hospital.
- Ahhhh! Que cheiro de comida ruim!!!
Em menos de 3 segundos o Daniel já tinha me trazido o lixo pra eu vomitar haha! Tá esperto o marido! Me deram um Dramin na veia que doía mais que a contração. 
(Nota: deram o Dramin porque pensaram ser vômito da virose. Mas era de parto, eu sempre vomito quando estou em TP)

Cheiro de comida ruim...
O Dr Alessandro voltou e fez mais um toque, estava com 6 cm, só que eu tive que deitar pra fazer o toque e isso não é legal. Começou a doer muito cada contração e o máximo que consegui fazer foi me virar pro lado esquerdo pra não ficar de barriga pra cima. E tava doendo muito (uma enfermeira veio me perguntar se tava doendo muito BEM no meio de uma contração), a Lorena fazia massagem de uma maneira tão gostosa, aliviava muito! Sempre me lembrando quando respirar e como respirar, meu Deus como isso ajudava! Daniel e ela se revezavam na massagem nas costas e na compressa de água gelada na testa, as vezes eu pegava a compressa e mordia, outras eu torcia, batia na parede (hahaha, isso foi algo que eu não esperava mas bater na parede aliviava a dor). Eu sabia exatamente quando era um e outro que me tocava, mesmo com os olhos fechados. Lorena se ocupou também em reduzir a luz, o barulho e movimentação no quarto.
Nessa hora eu só pensava em uma coisa:
- Eu não posso ficar nessa posição, preciso mudar! (E também que eu ia chegar no Gesta e falar que parto natural era loucura KKK!)
Lorena fazendo massagem
Vomitei outra vez (sim, tenho estômago fraco) mas nem pra vomitar eu consegui sair da posição que eu estava!
Chegaram a preparar o chuveiro pra me aliviar, mas eu não conseguia sair da cama.
Assim que terminava uma contração começava a outra. Foi bem difícil essa parte. Até que comecei a conversar com a Lais:
- Filha, vem logo, vamos acabar com isso de uma vez. Mamãe tá fazendo a parte dela, aguenta firme, já vai acabar. Eu não escutei mas percebi o Daniel orando por mim, me senti tão amparada nessa hora, e me deu uma tranquilidade muito grande, consegui dar uma descansada, desconfio eu que estava em transição porque foi um alívio enorme!
E até que enfim consegui levantar, fiquei nos pés da cama em 4 apoios com vários travesseiros embaixo de mim, engraçado que eu imaginava mesmo que iria parir assim, por causa da escoliose essa é uma posição ótima pra descansar e por outro lado dá bastante firmeza que eu acho que não teria se estivesse de cócoras, e da maneira que estava não daria para fazer cócoras sustentada porque o marido não conseguiria subir na cama e muito menos eu conseguiria descer!
E começaram os puxos! O GO não tinha voltado ainda, foi uma correria! Eu tinha muita vontade de gritar, e gritei! Isso fez com que o quarto ficasse branco de enfermeiras, eu entendo o lado delas, mas me tiraram completamente a concentração!
A Enfermeira mandou vir uma maca pra me levarem pra Sala de Parto, só que o combinado era que eu NÃO iria pra lá! Entre uma contração e outra eu gritava e tentava explicar que eu já tinha combinado com o GO que eu teria o bebê no quarto. A mesma pessoa me falou pra não gritar (e aí que eu gritei mais forte ainda, só de birra mesmo) e que era pra eu segurar porque o pediatra que eu tinha escolhido não tinha chego ainda. Pois é, noção de Parto Ativo nenhuma. Eu entendo que ela estava preocupada com a Lais, porque ela foi prematura, mas eu me limitei a perguntar:
- Mas querida, não tem NENHUM pediatra nesse hospital??? Chama o que tiver!!! Eu não consigo segurar!
Depois ela veio com umas de Kit pra Episio, eu até queria argumentar, mas não deu.
E meu  marido já foi se esquentando falando que se ela mandasse eu parar de gritar de novo ele ia começar a gritar também (pelo menos desviou ela de falar comigo, na boa, tava atrapalhando) e nisso o Dr Alessandro chegou esbaforido, veio correndo pela escada (tem como não amar um médico que vem correndo te ajudar no seu parto?) eu quaaaase ri na hora porque ele tava respirando mais que eu, mas as contrações não me deixaram demonstrar o meu bom humor haha! Ele gentilmente tirou todas as enfermeiras do quarto.
Ficaram Eu, Daniel, Lorena, ele e o pediatra do hospital (Dr Akira se não me engano).
E aí os puxos (vontade de fazer força) aumentaram e a Lorena me lembrou de algo bem importante relacionado a respiração, ela veio bem no meu ouvido e falou baixinho:
- Faz a força no final da expiração. E me abraçava.
O Daniel ficou apoiado na parede (coitada da parede haha) com o braço esticado pra eu me apoiar, fez força junto comigo.
Nisso o Dr Alessandro perguntou se eu não conseguia ficar mais vertical, e eu não consegui. Não tinha como, eu precisava ficar de 4 mesmo. Ele falou que não fazia mal, fiquei do jeito que me senti melhor.
A bolsa estourou, por pouco a Lais não me nasce de bolsa e tudo!
E as dores começaram a diminuir, e a vontade de fazer força aumentar. Comecei a sentir arder tudo (acho que que se existe o tal “círculo de fogo” deve ser isso aí mesmo) e fiz mais uma força, o Dr falou:
- Ela já está aqui!
Isso me deu uma emoção tão engraçada que parece que parou tudo, eu perguntei:
- Posso pegar na cabecinha dela?
E peguei, e quando eu vi que ela estava realmente ali eu fiquei revigorada, comecei a fazer a força quando tinha vontade e no fim da expiração como a Lorena falou, eu acho que foram mais 3 forças e ela saiu, eu senti ela escorregar toda quentinha, essa sensação que eu não tive em nenhum dos outros partos por causa da anestesia!
Eram 12:58 do dia 26/10/2010!
O Dr Alessandro me passou ela pelo meio das minhas pernas e deixou ela deitadinha, eu logo peguei ela no colo e só sabia dizer que ela era gordinha, linda, parecida com o Biel, cabeludinha, e ela chorou pra mim! Me tranquilizou! Era como se ela dissesse que estava tudo bem, que tínhamos conseguido, que o sonho que eu tive agora era real! Aquele cheirinho de bebê que acabou de sair da gente! Olhei pra Lorena e disse, eu consegui!
:~)
O GO esperou o cordão parar e cortou, entregou a Lais para o Pediatra que levou ela para os primeiros cuidados (como ela era prematura eu nem questionei nada, ela foi mesmo ter todos os cuidados “padrão”, mas o Daniel foi com ela e falou que o Dr foi um anjo, que tratou ela com respeito). Ela teve Apgar 9 e 10!!!
Enquanto Lais foi com o pediatra ficamos eu a Lorena e o Dr Alessandro esperando a placenta, que saiu bem rapidinho até, me levaram pra sala de exames pro GO avaliar se tinha lacerado e se precisava de pontos, não precisou!
Como o pediatra da Lais não conseguiu chegar a tempo (estava se preparando pra chegar as 3 da tarde) ele por telefone pediu que ela ficasse em observação no berçário. Colocaram ela numa incubadora onde ela tacou o terror arrancando a tornozeleira de identificação, “mamando” na máscara de oxigênio, o pai sempre do ladinho dela.
Assim que consegui levantar, comer, tomar banho eu fui lá pra ficar com ela e só desgrudei pra ligar pro Pediatra pra ver se ele liberava ela pro alojamento conjunto, e ele liberou, no fim da tarde eu estava com ela no quarto, insistindo pra ela mamar e ela começou a sugar a noite. Era o único bebê que estava mamando, nem os que nasceram a termo estavam mamando! Ela chegou a tomar complemento de leite humano no berçário, mas assim que chegou no quarto foi só o da mamãe mesmo! Meu leite desceu em 2 dias, tivemos alta e viemos pra casa, ela é uma fofa!
Nós de alta
Sobre tudo isso e mais…
Se você quer parir precisa SE preparar pra isso. Ler sobre o parto, de preferência ter um doula! Eu diria que é essencial ter uma!
Deve procurar um profissional (médico ou parteira) que realmente te respeite e não ache bobagem ou “perfumaria” os seus desejos sobre o seu parto.
Você pode idealizar, imaginar como vai ser, mas a grande verdade é que é uma experiência surpresa! E vai ser melhor do que você imaginava.
Parir dói, pra mim doeu, mas como já disse até o Dramin na veia tava doendo mais, sofrer por causa das dores ou se deixar levar por elas é uma opção sua.
Eu tive o parto do meu sonho, e o parto que eu sonhava.
BjoS!